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Feriado de 1º de maio – Só se for nas ruas!

abril 30, 2010

 

Empunhando essas bandeiras que militantes do Movimento Estudantil, Sindical e Popular irão fazer um ato no dia do trabalhador para resgatar a tradição de luta e resistência desta data e para mostrar solidariedade aos trabalhadores do Santa Maria que sofreram e sofrem com o abandono e o desprezo de sucessivos governos estaduais e municipais

Por tudo isto e muito mais, estão convidados todos/as trabalhadores e/ou estudantes para participar do nosso ato que ocorrerá no sábado, 1º de maio, e se concentrará em frente à escola Vitória de Santa Maria às 8h com início às 8h30

As organizações que constróem este ato são: PSOL, PSTU, CONLUTAS, INTERSINDICAL, Barricadas abrem caminhos, Conselho de Residentes/UFS, ANEL, SINDIPETRO, SINDICAGESE, SINTES, SINDIMINA, SIND. dos Servidores de Laranjeiras 

Abaixo segue texto do panfleto a ser distribuído no ato: 

O 1º de maio é o dia internacional de luta dos trabalhadores e trabalhadoras, mas é mais que um feriado. É um dia de ir para as ruas. Por isso estamos em solidariedade aos trabalhadores do Santa Maria, castigados pela chuva e esquecidos pelos governos. E não nos faltam motivos para lutar. 

Lutamos pela redução da jornada de trabalho sem redução de salários. 

Trabalhar menos para que muitos trabalhem! 

Lutamos pelo direito a uma moradia digna. 

CANSAMOS DE VIVER EM RISCO A CADA GRANDE CHUVA! 

Lutamos contra todas as formas de criminalizar os que lutam por seus direitos. 

LUTAR NÃO  É CRIME! 

A gente não quer muito. A gente só quer tudo! 

Reforma Urbana: queremos casa para morar, mais ônibus nas ruas e com mais qualidade! 

Contra a construção do aterro sanitário no santa Maria. 

Reforma Agrária: queremos terra pra plantar comida saudável para todos os trabalhadores! 

Chega de mortes nos hospitais, queremos um Sistema de Saúde de qualidade! 

Queremos educação pública, gratuita e de qualidade. Queremos 10% das riquezas produzidas no país para a educação! Defendemos as cotas e os cotistas. 

Queremos a garantia dos direitos das trabalhadoras: ampliação e construção de mais creches públicas para os nossos filhos, licença maternidade de 6 meses à todas as mães com garantia do emprego após a licença. 

O petróleo tem que ser nosso. Petrobrás 100% estatal e pública. 

“Ou os estudantes se identificam com o destino do seu povo, com ele sofrendo a mesma luta, ou se dissociam do seu povo, e nesse caso, serão aliados daqueles que exploram o povo.” (Florestan Fernandes)

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O que a precariedade das aulas práticas do curso de medicina na UFS tem a ver com a falta de câmeras nas aulas de fotografia dos cursos de comunicação e com a desigualdade social?

abril 25, 2010

Inicialmente pode parecer que são problemas pontuais, cada qual pertencendo ao seu âmbito especial. O problema das más condições (ou até mesmo ausência) das aulas práticas de medicina são problemas do curso de medicina da UFS, institucionalizado no DME. A falta de câmeras fotográficas para o curso de comunicação é um problema da alçada do curso de comunicação. Já a desigualdade social é meramente um problema do governo. Por essa lógica, inevitavelmente surge aquela batida pergunta:

O que diabos, eu, estudante, tenho a ver com isso?

A resposta para isso pode vir de uma outra pergunta: será que as coisas são tão independentes assim?

Nós temos o costume de analisar as coisas fechadas em si mesmo, sem buscar profundamente a origem delas, sem comparar diversos aspectos de coisas que parecem diferentes mas às vezes fazem parte do mesmo universo. Isso nos leva a imaginar que os fatos são sempre isolados. Mas na verdade as coisas se interseccionam muito mais do que podemos imaginar.

Antes de tentarmos analisar, por exemplo, o porquê de as aulas práticas de Bases da Técnica Cirúrgica estarem sendo ministradas em um ambulatório minúsculo, onde estudantes assistem às aulas amontoados, sentados nas macas, onde não há sequer espaço para projeção de slides etc, devemos nos atentar para o fato de que a disciplina Bases da Técnica Cirúrgica está inserido em um contexto maior, junto com outras disciplinas, que é o do curso de medicina. O curso de medicina por sua vez, junto com vários outros cursos, está inserido na Universidade Federal de Sergipe. A UFS, adentrando o grupos das universidades brasileiras, está inserida dentro da sociedade em que vivemos. E será que podemos ignorar esses aspectos? Eu acho que não.

Vivemos em uma sociedade regida pelo sistema capitalista. Isso não é novidade pra ninguém. Mas nunca é demais relembrar que tal sistema é extremamente opressor, que tem como o objetivo o lucro e o consegue através da exploração da classe trabalhadora, que tem como controlador das relações o mercado. É um sistema excludente e que gera desigualdade social, que gera fome, miséria. Um sistema injusto, onde não há igualdade nem liberdade. E pra quem acha viagem demais analisar as coisas partindo dessa óptica, vamos descendo o aviãozinho pra ver onde ele pode pousar.

A realidade das universidades brasileiras hoje é uma realidade totalmente inserida nessa lógica do sistema capitalista. A universidade não tem sido socialmente referenciada. As pesquisas não são feitas com base nas necessidades da população. Quase não há extensão. A universidade não tem servido ao povo. Toda a formação visa o mercado de trabalho. O curso de medicina não forma médicos que atuem em conjunto com outros profissionais da saúde para atuação no SUS (que, lembrando, é o sistema de saúde que nós adotamos no Brasil, que possui aspectos extremamente positivos, como a possibilidade de permitir saúde acessível universalmente à população e de onde toda a precariedade tão explicitada na mídia vem boa parte pelo não cumprimento na prática do que o SUS é na teoria). Mas pelo contrário, nós estudantes de medicina nos formamos tendo repulsa ao Sistema Único de Saúde e já pensando em nos especializar e montar nosso próprio consultório sem nos questionarmos se de fato saúde deveria ser uma mercadoria a ser vendida. Os estudantes de Comunicação são formados para trabalhar em grande empresas que detêm o poder dos veículos de comunicação e compõem o grande poder hegemônico manipulador da mídia. E é assim que todos os cursos nas universidades são encarados. Na mesma lógica opressora, egoísta e exploradora do capitalismo.

Descendo mais um pouco o avião e pousando na nossa querida Universidade Federal de Sergipe, a gente percebe que tal lógica se consolidou ainda mais com a aprovação do REUNI em 2007. O REUNI – Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades – mereceria uma análise totalmente a parte, mas tentaerei me deter aos pontos principais. Embora o REUNI pareça algo bom, numa análise precoce, por expandir a universidade, aumentar o número de vagas fazendo com que mais pessoas tenham acesso ao Ensino Superior, precisamos nos perguntar inicialmente: que universidade é essa e pra onde tá indo essa expansão?. Me deterei a explanar o objetivo principal do REUNI e suas duas grandes metas.

  • Objetivo do REUNI: criar condições para a ampliação do acesso e permanência na educação superior, utilizando-se do melhor aproveitamento da estrutura física e dos recursos humanos atualmente existentes nessas instituições.

Criar condições, ampliar, permanência, melhor aproveitamento. São expressões que nos levam a ter uma avaliação positiva sobre essa reforma. Porém, analisando com cuidado, percebemos a contradição principal de tudo isso. O REUNI se propõe a expandir a universidade, porém APROVEITANDO A ESTRUTURA FÍSICA ATUAL E OS RECURSOS HUMANOS EXISTENTES. E será que a nossa estrutura física já dá conta da quantidade de estudantes que nós temos? Será que já temos uma quantidade de professores suficientes? Eu acho que não. E aí é possível perceber que a tal “ampliação” na verdade é uma deterioração total da universidade. Toda a precariedade é mantida e mais estudantes são colocados dentro dessa precariedade. Todo o problema só piora.

E as metas do REUNI só quantificam o seu objetivo de deteriorar a universidade:

  • Aumento de quase 100% do número de alunos por professor na graduação, atingindo a média de 18 alunos por docente.

Não bastasse o fato de não termos professores o suficiente para dar conta do ensino, da pesquisa e da extensão na universidade, há ainda a meta de aumentar ainda mais o número de alunos por professor.

  • Ampliação da taxa de conclusão nos cursos de graduação para 90% em média.

Tal meta deixa clara a falta de preocupação com a qualidade da formação do estudante e o objetivo unicamente de aumentar a “linha de produção” da universidade, fazendo com que cada vez mais estudantes entrem nela e saiam cada vez mais rápido para serem jogados dentro do mercado de trabalho.

Ninguém, eu acredito, seja contra a expansão das universidades. o problema é que não está havendo uma expansão de fato. Não se fala em Assistência Estudantil e em como os estudantes ingressantes podem se manter dentro da universidade. A ampliação da universidade deve ser feita de maneira não só quantitativa, mas também – e principalmente – qualitativa. Mas o REUNI é claramente um programa que visa a geração de números. Aumentar as porcentagens de ingressos na universidade, a porcentagem de graduados, sem minimamente se preocupar com a formação desse profissional. Então novos cursos de Comunicação são abertos, mais estudantes acessam o curso, mas que curso é esse onde existem apenas três câmeras fotográficas para aproximadamente 300 estudantes que cursam a matéria Fotografia? E o curso de Educação Física, que tem aulas de natação na sala de aula, usando-se o QUADRO. Será que todos esses problemas não estão interligados?

Se você ainda está tendo dificuldade de visualizar, vamos aumentar o zoom e chegar finalmente no curso de medicina da UFS. Eu faço uma pergunta simples: nossa formação tem sido a ideal? Nossa estrutura é a ideal? Nosso quadro docente é o ideal? Vários aspectos mostram que não. A situação das aulas práticas no HU (vide textos escritos por Adriana Freitas e publicados no blog do coletivo) e mesmo no Básico (como são as aulas “práticas” de fisiologia e neuroanatomia, por exemplo?) deixam bastante claro o quanto nosso curso de medicina precisa urgentemente de melhorias. Não obstante esse fato, nos deparamos com a abertura de UM NOVO CURSO DE MEDICINA no Campus de Lagarto? Você nunca parou pra se perguntar sobre isso? Se perguntar se o nosso curso já é assim tão perfeito pra um totalmente novo ser aberto em outro campus. Mais uma vez, ninguém é contrário a idéia de se expandir o curso de medicina para o interior de Sergipe. O problema é sempre a maneira como as coisas são feitas. Você também não se perguntou se esse novo curso de medicina em Lagarto será de fato um curso ideal? Ou será que, não bastasse um, teremos agora dois cursos de medicina com problemas. Se nunca se perguntou, comece a se perguntar, companheiro, pois se você resistiu e chegou até esse momento do texto, já deve estar sendo capaz de interligar os problemas do curso de medicina, com outros cursos, com a UFS, com a realidade das universidades, com o REUNI, com o sistema capitalista.

Então, colegas, é impossível isolar os problemas e as contradições nas quais diariamente nos encontramos. É preciso buscar a raiz verdadeira de cada problema. Nosso curso de medicina tem problemas pelo mesmo motivo que a galera de Comunicação. Tais problemas estão sendo ampliados pelo REUNI, que não foge de toda o sistema que “organiza” a sociedade em que vivemos.

Por fim, faço um apelo para que nós, estudantes, nos identifiquemos enquanto um grupo que deve resistir e lutar por melhorias nos nossos cursos, na nossa universidade e, por que não, não nossa sociedade. Pressionar os departamentos e outras instâncias burocráticas da universidade para que possamos ter condições ideais de ensino, pesquisa e extensão, mas sabendo que essa luta pontual não é o suficiente para mudar todo o sistema educacional do país. Precisamos no mobilizar e protestar, através de abaixo-assinados, atos ou simplesmente com a nossa voz dentro das salas de aula e dos outros espaços da universidade.

E que a universidade possa se pintar de povo!


Texto escrito por Jean Prestes
acadêmico do 3º período do curso de medicina da UFS

Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço?

abril 25, 2010

Desde criança costumam nos ensinar, tanto em casa como nas escolas primárias, que devemos ter noções mínimas de higiene: lavar as mãos antes e depois das refeições, jogar o lixo nas lixeiras, sempre lavar as mãos após ir ao banheiro ou chegar da rua, etc. Durante toda a nossa via acadêmica, aprendemos que a falta de higiene pode levar o indivíduo e toda uma comunidade a sofrer sérios problemas de saúde, por transmissão direta e indireta de um alarmante número de doenças.

No entanto, apesar da prática de higiene nos parecer, de certa forma, óbvia e primária, a necessidade da higienização das mãos, por exemplo, é reconhecida também pelo governo brasileiro, quando inclui recomendações para esta prática no Anexo IV da Portaria 2616/98 do Ministério da Saúde, que instrui sobre o Programa de Controle de Infecções Hospitalares nos estabelecimentos de assistência à saúde no País.

Apesar da significativa importância da higiene, principalmente entre os profissionais e acadêmicos da área da saúde, nós, da Universidade Federal de Sergipe e que estudamos no Campus da Saúde – Prof. João Cardoso Nascimento Júnior, não vivenciamos na prática o que vemos exaustivamente na teoria.

No nosso cotidiano, nos deparamos com o mais variado número e tipo de patologias, cada uma com sua especificidade, gravidade e grau de contágio. Como norma básica, a lavagem das mãos seria imprescindível para evitar não só uma contaminação pessoal, como também uma transmissão em massa de inúmeros tipos de doença. No entanto, ao irmos aos banheiros nos deparamos com situações deploráveis de higiene sanitária.

Para nós, estudantes da área da saúde, já se tornou “normal” utilizarmos banheiros sem porta, sem papel higiênico, sem sabão, com poças de água pelo chão, sem descarga nos vasos sanitários, vasos sem tampa, mictórios quebrados e agora com a mais nova novidade: pias improvisadas com baldes!

Além de ser humilhante vivenciarmos tais condições diariamente, é revoltante ver a justificativa de muitos para isso: “É assim mesmo, você está numa FEDERAL!” ou então “Mas foram vocês mesmos (estudantes) que quebraram!”. Será que Universidade Pública é sinônimo de descaso e Estudante é sinônimo de vandalismo? Ao nosso ver, não.

Apesar de ter consciência de que uma parte desses problemas foi causada por algum(s) estudante(s) que têm o “espírito de destruição correndo nas veias”, o bom senso é fundamental na análise de que não se pode generalizar uma classe por ações pontuais de uma minoria sem ética e respeito pelo bem coletivo.

Como conseqüência disso, somos impedidos de utilizar alguns banheiros que certamente não foram construídos para uso exclusivo de funcionários. Na didática onde se encontra a biblioteca da saúde, por exemplo, existem 6 banheiros, sendo 3 masculinos e 3 femininos. Apesar do número de acadêmicos ser expressivamente superior ao número de funcionários que trabalham nesta didática, apenas 1 banheiro feminino e 1 masculino são disponibilizados para os acadêmicos (nas condições citadas anteriormente! ). E o banheiro da biblioteca e o que fica em frente ao auditório? Esses vivem trancados para que não tenhamos acesso.

Para evitar me estender mais, não entrarei em detalhes com relação aos banheiros do CCBS e das outras didáticas, pois quem aqui convive sabe que as condições são bastante semelhantes.

Fica no ar, portanto, um questionamento: o que justifica isso? Como admitir que em um campus da saúde nós vivenciemos práticas de transmissão contínua de doenças?

Será que a partir de agora devemos começar a dizer aos nossos pacientes “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço.” ?

Texto escrito por Adriana Freitas
acadêmica do 6º período de medicina

MOBILIZAÇÃO ESTUDANTIL NO 6º PERÍODO – Estudantes fazem abaixo assinado denunciando as más condições no curso

abril 15, 2010

AULAS PRÁTICAS: SÓ NA TEORIA??

Nesta semana, concluímos nossa 4ª semana de aula do período letivo 2010/1. Fazendo as contas, já se passaram aproximadamente 22,2% do semestre letivo. Estando a quase ¼ do sexto período (que é a metade do curso), fiz algumas reflexões com alguns colegas de curso sobre como andam nossas “habilidades médicas” e percebi que a sensação de insegurança, principalmente com relação às habilidades práticas da medicina é algo bem comum. No entanto, muitos podem pensar ou até dizer “Ah, que besteira, ainda falta tanta coisa pela frente! Você só aprende mesmo depois que se forma!”, mas aí vem a minha pergunta: O que estamos fazendo na universidade então?

A profissão médica, dentre suas diversidades de áreas e especialidades, é eminentemente prática. Portanto, para que a Universidade propicie uma adequada graduação em medicina, nada mais óbvio do que oferecer um curso em que o ensino da prática médica seja algo fundamental.

No entanto, o que de fato nós temos?

Parando para analisar superficialmente os três primeiros anos de curso, o chamado ciclo básico, é possível nos lembrar de várias disciplinas em que a prática ficou só na teoria, como por exemplo, as aulas de neuroanatomia ditas como práticas, mas que foram eminentemente teóricas (apesar de terem sido realizadas dentro de um laboratório) e as aulas ditas práticas de Fisiologia Humana, em que seminários foram apresentados pelos alunos em salas de aula das Didáticas.

Quando chegamos ao HU, percebemos que as disciplinas nos fazem sentir uma grande proximidade da medicina em si e chega a hora em que efetivamente as práticas médicas se iniciam. O medo e a insegurança são companheiros permanentes por um bom tempo e aí ouvimos dos professores que só com a prática é que vamos deixar essa insegurança de lado e aprender de fato.

É aí onde mora o problema. Como andam nossas aulas práticas? Você está satisfeito(a) com o que está aprendendo nessas aulas?

Apesar de não estar nem um pouco satisfeita com as aulas práticas em geral (ou inexistência delas), o que me motivou a escrever este texto foi vivenciar, durante esta última semana, uma aula prática de Bases da Técnica Cirúrgica. Como o nome já explicita, as aulas práticas de uma disciplina como essa deveriam acontecer onde? Ou em um centro cirúrgico ou minimamente em um laboratório que simulasse as condições de um centro cirúrgico real. No entanto, a realidade dessas aulas na Universidade Federal de Sergipe é bem diferente. Mas por quê? Por acaso não temos um centro cirúrgico no HU? Até temos, mas infelizmente ele não oferece estrutura alguma para nos receber, enquanto estudantes. Da forma como está, realizar aulas práticas de Bases da Técnica cirúrgica significaria impossibilitar a realização de algumas cirurgias e aumentar consideravelmente o nível de infecção hospitalar.

Na impossibilidade de utilizar o local apropriado para dar suas aulas, os professores “se viram” como podem. Apesar de a Universidade estar dando início à construção de um novo curso de medicina em Lagarto, ela diz não ter condições de nos oferecer locais apropriados para nossas aulas práticas. =/

Nesse contexto, minha turma teve uma “aula prática” em um ambulatório minúsculo, com dez estudantes amontoados, sentados na maca e em cadeiras trazidas de outros ambulatórios e com o professor apresentando os slides da aula em seu próprio notebook, pois nem espaço para projeção em datashow havia. O mais interessante, é perceber que temos aulas práticas de “faz de conta”, pois além de o professor ficar mostrando nas fotos dos slides os utensílios ideais, os centros cirúrgicos ideais, a higiene ideal, etc., nós não temos a oportunidade de vivenciar isso na prática.

Apesar de o tema da referida aula ter sido Técnicas Assépticas, tínhamos disponível uma pia totalmente inadequada para o nosso aprendizado, além de praticamente nenhum material disponível para o treino das nossas habilidades. Resumindo: Mais uma vez tivemos aula teórica de “como se faz na prática”.

Quem estiver lendo esse texto, deve estar se perguntando: E por que você resolveu escrever tudo isso agora?

A resposta é simples: Porque tem muita gente na nossa universidade dizendo que temos um curso de ótima qualidade! Qual a maior prova disso? Nossa universidade está simplesmente DUPLICANDO o número de vagas em medicina e CONSTRUINDO um novo Pólo na cidade de Lagarto!

E nós, o que achamos disso?

“Ah, vai ser bom porque mais gente vai poder ingressar na faculdade!”

Será? Você gostaria de entrar em um curso que não tem NADA construído?

Se nós, que estamos em um curso construído há décadas, já estamos com diversos problemas que a Universidade diz não ter condições de solucionar, como serão as condições de aprendizado dos nossos futuros colegas de Lagarto? Melhores que as nossas? Porque se forem iguais, já estará sendo bem ruim.

Texto escrito por Adriana Cardoso Freitas, estudante do 6º período de medicina da UFS e membro do Coletivo “Seja Realista: Peça o Impossível”.

OBS: As assinaturas para a carta ser enviada à chefia do Departamento de Medicina da UFS estão sendo recolhidas para incluir as reivindicações como ponto de pauta na reunião do departamento de medicina, que acontecerá dia 03 de MAIO.

Homenagem aos Ex-Cameds formandos 2009.2

abril 15, 2010

Aos mais novos médicos de luta:

Adles Saulo Pereira Nogueira
Francis Vinícius Fontes de Lima
Francisco de Assis Oliveira Araújo
Guilherme do Espírito Santo Silva
Lécio dos Anjos Bourbon Filho

Margleice Marinho Vieira Rocha

Paulo Fernando Carvalho Secundo

Thalyta Porto Fraga


Aulas práticas: aprendendo a brincar de faz de conta

abril 15, 2010

Aracaju, 14 de abril de 2010.

À chefia do Departamento de Medicina

Caro Prof. Dr. Alex Vianey,

Segue abaixo um texto escrito para publicação no blog www.sejarealista.wordpress.com e que apresenta alguns dos problemas vivenciados pela turma do 6º período de medicina.

AULAS PRÁTICAS: APRENDENDO A BRINCAR DE “FAZ DE CONTA”

Final de férias: época de aproveitar os últimos momentos de curtição, de descanso e de fazer tudo aquilo que não temos a oportunidade de fazer quando estamos em aulas. É, também, a época em que começamos a nos preparar para o novo período que se inicia, portanto, entramos em contato com colegas mais experientes do curso, tentamos conseguir materiais e buscamos avidamente saber como será o novo semestre. Durante esse processo, muito ouvi acerca da “fama” do 6º período: uns dizem que é um dos piores, outros dizem que é apenas cansativo pelo grande número de provas, mas o comentário mais freqüente foi o de que este é o período em que começamos, de fato, a viver o curso de medicina.

Ao fazermos a matrícula, sentimos que o período realmente será bem diferente dos anteriores, pois além de termos disciplinas voltadas para algumas especialidades médicas, temos uma grade curricular com um expressivo número de aulas práticas. Apesar de ser inicialmente assustador pensarmos que iremos aprender Imaginologia, Bases da Técnica Cirúrgica, Anestesiologia, Otorrinolaringologia, Oftalmologia, Saúde Coletiva III e Introdução a Psicopatologia em apenas quatro meses de aula, começamos o semestre com sede de aprender.

No entanto, o período letivo se inicia e logo começam as frustrações. Na primeira semana de aula, não tivemos aulas práticas da maioria das disciplinas teórico-prática com a justificativa de que “é ilógico ter aulas práticas sem ter tido uma aula teórica anteriormente”. Por mais que esse argumento tenha convencido a muitos, gostaria de lembrar que ao se realizar as aulas práticas dessas mesmas disciplinas em um momento posterior, o conteúdo exposto foi totalmente INDEPENDENTE da aula teórica ministrada anteriormente.

A primeira semana passou e, assim como ela, as demais se passaram de forma bem rápida. Hoje estamos chegando à praticamente 25% do semestre letivo, e impressionantemente ainda não tivemos aulas práticas de algumas disciplinas. Quais os motivos para isso estar acontecendo?

Diversas são as justificativas dadas pelos nossos professores, mas o FATO é que com a conclusão de praticamente ¼ do sexto período, vivenciamos o seguinte quadro:

DISCIPLINAS SITUAÇÃO DA TURMA DO 6º PERÍODO ATÉ O PRESENTE MOMENTO
IMAGINOLOGIA 0 (zero) aulas práticas
BASES DA TÉCNICA CIRÚRGICA Todas as aulas foram ministradas, embora SEM ESTRUTURA ADEQUADA para o ensino da prática.
SAÚDE COLETIVA III 0 (zero) aulas práticas
DISCIPLINAS SITUAÇÃO DA TURMA DO 6º PERÍODO – HORÁRIO SUGESTÃO 3 – ATÉ O PRESENTE MOMENTO
OTORRINOLARINGOLOGIA 1 aula prática (uma apresentação de como serão as práticas e uma revisão de propedêutica otorrinolaringológica)
OFTALMOLOGIA 1 aula prática (com apresentação dos aparelhos – desligados)

Levando-se em consideração que a medicina é uma profissão predominantemente prática, e que a universidade é o espaço em que somos, pelo menos teoricamente, preparados para atuar como médicos(as), o que justifica tamanha deficiência no ensino das nossas habilidades práticas?

Até quando a nossa universidade vai continuar fazendo de conta que está tudo indo muito bem (afinal, estão abrindo um novo pólo da saúde em Lagarto e duplicando as vagas em medicina!) enquanto passamos por tantos transtornos?

Até quando nós, estudantes, iremos ser coniventes com essas situações?

Apesar deste texto relatar a experiência pontual de algumas situações desagradáveis referentes ao sexto período, eu questiono: Problemas dessa natureza estão ocorrendo nos demais períodos?

Os estudantes do nosso curso estão 100% satisfeitos com as aulas práticas que estão tendo? (ou não tendo, no caso!)

Sei que para muitos é um alívio saber que não vai haver aula e poder ir para casa mais cedo, mas para estes, gostaria de lembrar que quando não soubermos agir corretamente com nossos pacientes por insegurança e carência de habilidades práticas, ninguém vai estar preocupado se tivemos problemas com a disciplina X ou Y. Nós teremos a obrigação de saber como agir!

Muitos devem estar se questionando sobre a necessidade da exposição de tais problemas e é aí que eu gostaria de fazer um alerta: Se nós, que estamos sendo diretamente prejudicados com diversas situações que atrapalham o nosso aprendizado no curso, não nos manifestarmos contra esses descasos, estaremos sendo coniventes e consentindo que tal situação se perpetue, prejudicando não só a nós mesmos, como a todos que virão depois ocupar o nosso lugar e ouvirão o mesmo que nós sempre estamos ouvimos: “Se acostume!” ou “É assim mesmo! Não tem jeito!”

Será que não tem jeito mesmo?

Talvez sim. Enquanto continuarmos fazendo de conta que estamos aprendendo e nossa universidade continuar sendo conivente com a brincadeira de faz de conta que tem um ótimo ensino enquanto, repito, se propõe a construir um novo curso de medicina, realmente nossas aulas práticas e nosso ensino de qualidade ficarão cada vez mais no “faz de conta”.

No entanto, se decidirmos por expor nossas situações diariamente e por cobrar por melhorias reais na qualidade do nosso ensino, aí sim seremos capaz de evitar que essa brincadeira sem graça se transforme definitivamente em uma nova brincadeira: a do “Era uma vez…”.

Texto escrito por Adriana Cardoso Freitas

Acadêmica do 6º período de medicina da UFS

Membro do Coletivo “Seja Realista: Peça o Impossível”

Acadêmicos que se sentem contemplados com as reivindicações acima explicitadas:

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OBS1: As assinaturas para a carta ser enviada à chefia do Departamento de Medicina da UFS estão sendo recolhidas para incluir as reivindicações como ponto de pauta na reunião do departamento de medicina, que acontecerá dia 03 de MAIO;

OBS2: As imagens e as cores foram utilizadas para enfeitar o post. Não estão presentes na carta original.

Sistema de Ensino Público do Brasil

abril 15, 2010

Mau olhado sobre o SUS

abril 1, 2010

Texto escrito por Flávio Cardoso Arcângelis*

Clique aqui para baixar o texto em .pdf

Quando  você  pensa  em  SUS,  qual  a  primeira lembrança  que  lhe  vem  à  mente? Provavelmente você deve se  lembrar do  lado ruim  do  SUS:  filas  de  esperahospitais  lotados  e sucateadosfalta  de  remédiosdificuldade  para  se realizar um exame e a demora no recebimento de seu resultado, além do tempo de espera para se conseguir uma consulta. De fato, todos esses são problemas que ainda  não  superamos, mas  será  que  o SUS  é  apenas isso?

Pense um pouco. Quantas vezes você viu nos jornais televisivos reportagens que divulgavam o lado bom do SUS? Certamente divulgam-se muito mais as suas  dificuldades  do  que  suas  virtudes.  Há  anos  a mídia  de  massa vem  o  identificando  com  suas deficiências  e  o  afastando  de  suas  melhores qualidades. Só para citar um exemplo, a mídia passou dias cobrindo o drama vivido pela estudante Eloá – a garota  que  foi  assassinada  pelo  ex-namorado  em Santo  André,  São  Paulo  –  e  muitos  foram  os momentos  em  que  ela  poderia  ter  divulgado positivamente o SUS, mas em nenhum momento o fez. Enquanto  ela  apenas  divulgava  de  modo sensacionalista  a  forma brutal  como  a  garota  foi morta,  o  SUS,  através  do  ‘Sistema  Nacional  de Transplantes’, trabalhava  para  que  cada  órgão  da menina  fosse  doado  para  salvar  outras  tantas  vidas, mas  isso  nunca  foi  mostrado.  Só  no  ano  de  2007, foram  realizados  mais  de  12  mil  transplantes  de órgãos pelo SUS – você sabia? Além desse programa, existem  outros  que  são  referências  mundiais.  É notório  o  reconhecimento  mundial  do  ‘Programa Nacional DST e AIDS’ que concede assistência integral e totalmente gratuita a todos os portadores do HIV e doentes de AIDS. Isso tudo é SUS! É a prova de que ele já está dando certo.

Mas  o  SUS  tem  ainda  grandes  adversários que não  querem  que  ele  dê  certo.  São  os  mesmos inimigos  do  povo  que  controlam  os  meios  de comunicação e  mostram  apenas  as  dificuldades  do sistema. A mídia  hegemônica  –  jornais  e  revistas  de grande circulação, a  televisão e o  rádio –  é a grande responsável  pela  criação  dessa  imagem  negativa. Desde sua criação,  ela serve aos  interesses da classe dominante  e,  portanto,  só  produz  pensamentos  que perpetuam  a  manutenção  do  poder  pela  elite dominante. Esse  massacre  da  desinformação promovido  pela mídia  elitista mantém  na  sociedade brasileira  um  momento  de  profundo desconhecimento  de  causas.  Na  área  da  saúde não poderia ser diferente.

O  SUS  foi  concebido  há  cerca  de  20  anos  e desde  então  sofre  fortes  ataques  da mídia  burguesa exatamente  porque  ele  pretende  ser  um  sistema  de saúde revolucionário.  As  bases  desse  sistema  são fundamentadas  em  princípios  éticos  e  de  inclusão social que não interessa à elite brasileira. O princípio da  universalidade garante  o  direito  de  que  todos  os cidadãos brasileiros possuam  acesso aos  serviços de saúde  de  modo  gratuito,  independentemente  de qualquer  tipo de contribuição previdenciária. Ele é o avesso  do  que  quer  a  elite  que  está  acostumada  a sempre auferir grandes  lucros da parcela mais pobre da população.

O processo histórico pelo qual  foi concebido o  SUS  não  deixa  restar  dúvida  sobre  o  seu  caráter transformador  da  saúde  brasileiraAté  a  década  de 1990 tínhamos  um  serviço  de  saúde  que  excluía  a maior  parte  da  população  brasileira.  Naquela  época somente tinham acesso aos serviços de saúde aqueles que  estivessem  dentro  da  esfera  trabalhista  ou  que pudessem  pagar  por  serviços  privados,  ou  seja,  os trabalhadores  com  carteira  assinada ou a  parcela mais  abastada  da  população.  É  a  retomada  dessa lógica  de  saúde  privatista  onde  tudo  se  paga  que  é defendida pela grande mídia.

E  isso  não  é  difícil  de  perceber  quando entendemos  que  ela  é  controlada  pela  mesma oligarquia  que  também  controla  toda  a  saúde privada.  Observe  as  propagandas  das  TVs  e  dos grandes jornais, você perceberá que grande parte dos anúncios  veiculados  são  da  indústria  de medicamentos, dos planos de saúde, das corporações médicas,  da medicina  de  grupo,  enfim,  de  toda  a saúde  que  só  funciona  na  lógica  privada.  E como “quem  paga  a  banda  escolhe  a  música,  os anunciantes que  financiam os meios de comunicação também dão a linha política a ser divulgada. A idéia é denegrir a imagem do sistema de saúde público para convencer  as  pessoas  de  que  o  sistema  privado  é melhor, sem qualquer discussão sobre assunto.

Se  você  é  usuário  de  algum  plano  privado deve estar se perguntando: o que eu tenho a ver com isso e por que defender o SUS? Pois bem, se você fez essa opção deve ser por que o sistema público ainda não  funciona  como  deveria  e  porque  tem  condições financeiras para  tanto. No  entanto,  certamente,  você não  deve  estar  satisfeito  com  a  idéia  de pagar impostos  para  não  receber  serviços  de  saúde  em troca e, paralelamente, pagar altas mensalidades para ter  um  plano  que,  ainda  por  cima,  tem  várias limitaçõesimpõe  inúmeras  dificuldades,  deixando muito  a desejar. É uma  grande  ilusão pensar  que os planos  de  saúde privados  que  atendem  apenas  uma pequena  parcela  da população brasileira  prestam serviços de qualidade. Além de custarem os olhos da cara, muitas  vezes  negam  atendimento  quando  o cidadão  mais  precisa:  deixam  de  fora diversas cirurgias,  medicamentos,  exames  de  alta complexidade  e  dificultam  o atendimento  a  pessoas idosas, pacientes crônicos e portadores de patologias e deficiências.

O SUS está cotidianamente em nossas vidas e, muitas  vezes,  sequer  nos  damos  conta disso. Diferentemente  dos  planos  de  saúde,  ele  oferece muito mais  do  que  o  acesso apenas  aos  serviços  de saúde  diretos,  como  consultas e exames. Só para se ter uma  idéia, ele é responsável por  toda a execução das  ações  de  vigilância  epidemiológica  e  sanitária, bem  como  as  de  saúde  do  trabalhador.  Na  prática, apenas para  citar  alguns exemplos, os programas de combate à dengue, as vacinações que já erradicaram doenças como varíola  e  poliomielite  além  de controlarem  a  tuberculose, o tétano  e  sarampo, também são ações do SUS. Além disso, compete à ele a  execução  das  ações  de  vigilância  sanitária de fiscalização  e  inspeção  de  alimentos,  bebidas  e  água para consumo humano, controle  de  sangue  e hemoderivados,  registro  de  medicamentos,  entre tantas outras ações.  Isso tudo  também é o SUS, você sabia?

Como  você  pode  ver,  o  SUS  está  bem  mais próximo  de  você  do  que  parece.  Mas  a população brasileira  que  vem  sofrendo  um  massacre  de desinformação pela mídia, ainda não se conscientizou de que o SUS  representa a maior política de inclusão social  e distribuição  de  renda  do  país. A  freqüente exposição  das  mazelas  do  sistema  de  saúde  que  é feita sob a lógica burguesa que inferioriza tudo o que é público de modo absolutamente parcial e alienado para  justificar  a  superioridade  aparente  do  privado faz  com  que  o  SUS  seja  identificado  apenas  com aquilo que  lhe  falta. É por  isso que se  faz necessário que  reafirmemos  sempre  suas  conquistas. É  preciso que  rompamos  com  essa  lógica  para  conseguirmos efetivar,  na  prática,  aquilo  que  em  muito  já avançamos  no  campo  legal,  a  fim  de  que  possamos garantir que, de fato, a saúde seja um direito de todos e um dever do Estado.

*Flávio  Cardoso  Arcângelis  é membro  do  Diretório  Acadêmico  de
Medicina  da  UNIVASF  (DAMUNI)  e  acadêmico  do  6º  período  do
curso de medicina.