Archive for junho \20\UTC 2010

No Brasil a Medicina vai bem?

junho 20, 2010

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Vem aí o ECEM 2010 João Pessoa-PB

junho 20, 2010

Então galera, mal voltamos do EREM e vamos já divulgando o próximo encontro da DENEM, que é o ECEM – Encontro Científico dos Estudantes de Medicina. O evento ocorrerá esse ano em João Pessoal-PB nos dias 18 a 25 a julho.

Sobre o Evento | Programação | Inscrições | Cultural | Estrutura

O ECEM desse ano terá como tema: “Reflexões sobre a Reforma Sanitária e o papel da saúde em um projeto social transformador”. A programação está MUITO BOA MESMO, confiram em pdf! 😉

Assim como o EREM, o ECEM é um encontro estudantil em que estudantes de várias universidades do país trocam experiências e discutem acerca de temas importantíssimos para a formação de um profissional médico consciente e transformador da realidade. A diferença é que o ECEM é um encontro a nível nacional (esse ano com uma estimativa de mais de 2.000 estudantes!), tem uma duração de 08 dias e é o maior espaço deliberativo da DENEM, ou seja, todos os estudantes inscritos no encontro têm direito à voz e a voto no que diz respeito aos rumos do Movimento Estudantil de Medicina. Além disso, o ECEM constitui um amplo espaço que contempla várias áreas de interesse dos estudantes, como mesas que abordem aspectos científicos, culturais e políticos, painéis, além de apresentação de trabalhos científicos, mini-cursos, oficinas, debates, vivências, conferências nessas áreas. Trata- se, por tanto, de um evento singular, capaz de criar elos entre o cotidiano dos estudantes e o momento histórico e político do país.

Entendemos a importância dos encontros estudantis como forma de reoxigenação do Movimento Estudantil, troca de experiências com o conhecimento de outras realidades além da sua própria universidade e pela riqueza dos debates que contribuem, como já tinha dito, para a formação de profissionais conscientes da sua ação na sociedade e na intervenção da mesma. Por isso, achamos importantíssima a divulgação de eventos como esses e assim fazemos por meio da internet, passadas em sala e cartazes pelos cantos do CCBS e do HU. Entretanto, o coletivo não mandará ônibus para o ECEM por conta do calendário acadêmico da UFS ter se estendido até o dia 21/07. MAS, é um ótima pedida para a galera da UFS que não tenha nada marcado entre os dias 18 a 25 de julho, marcar presença lá na UFPB,  pois esses encontros são realmente enriquecedores e estimulantes – perguntem a que foi para o EREM Ilhéus ou até mesmo para encontros anteriores! 😉

Para maiores informações: http://www.ecem2010.com.br/

SAUDAÇÕES ESTUDANTIS!

Uma grande perda: José Saramago

junho 20, 2010

Do blog: http://www.culturaalternativa.blogspot.com

Retrato do desmoronar completo da sociedade causado pela cegueira que aos poucos assola o mundo, reduzindo-o ao obscurantismo de meros seres extasiados na busca incessante pelo poder. Crítica pura às facetas básicas da natureza humana encarada como uma crise epidêmica. Mais do que olhar, importa reparar no outro. Só dessa forma o homem se humaniza novamente. Caso contrário, continuará uma máquina insensível que observa passivamente o desabar de tudo à sua volta.” (José Saramago)

Perdemos mais um gênio da literatura. O português José Saramago desencarnou hoje, aos 87 anos.

Era ateu, comunista, sem papas na língua. Revolucionou a Arte e trancendeu a vida. Sua obra maior, o Ensaio sobre a Cegueira, é referência para uma juventude cada vez mais alienada e apegada a futilidades. O livro em si tocava no aspecto sócio-econômico e analisava os processos de mutação pelos quais a Europa estava passando na época, mas pode ser lido como uma ode ao senso crítico, que abre os olhos dos seres humanos. Os cegos eram, ou são, os conformistas. Rendeu até uma continuação, Ensaio sobre a Lucidez, onde continua com as refexões do anterior sob nova ótica. O autor era o mesmo, mas dava-se espaço para outros pontos de vista, como se quem escrevesse era outro.

Saramago, como todo escritor, tinha um jeito só seu de escrever, de modo que quem tentasse imitá-lo falharia. Era de leitura difícil, como é da natureza existencialista. Eu mesmo fui incapaz de decifrar muitas de suas opiniões. Descobri-o numa estante da biblioteca do colégio, quatro anos atrás. O título era Memorial do Convento, por coincidência aquele que o projetou e o fez ser admirado por público e crítica. Já a partir daí, foi um gosto ler aquele exemplar, exercício que me consumiu um longo tempo, é verdade, mas só foi útil para minha vida. Ampliei o conhecimento das coisas ao redor e das coisas mais profundas. Outra característica do mestre: conciliar objetivo e subjetivo, conotação e denotação, razão e emoção.

Saramago morreu já com idade avançada, e estava até hoje a nos fazer refletir. Hoje, literalmente. Seu falecimento data deste 18 de junho. É mais um que fará muita falta, deixando conosco seu legado.

(Texto escrito por Bruno Melo no endereço http://www.culturaalternativa.blogspot.com/2010/06/jose-saramago.html)

Impressões sobre o EREM 2010 Ilhéus-BA

junho 12, 2010

O XIV EREM (Encontro Regional dos Estudantes de Medicina), que ocorreu nos dias 03 a 06 de junho, aconteceu no Colégio Modelo na cidade de Ilhéus-BA e contou com a participação fundamental dos estudantes de medicina da Universidade Federal de Sergipe  nos espaços, com uma delegação de 28 pessoas, dentre eles estudantes do 1° ao 7° período (inclusive dois pré-calouros!). Alguns dos membros do coletivo “Seja Realista: Peça o Impossível” participaram, inclusive, da construção do evento em reuniões presenciais e virtuais, ajudando tanto a escolher como desenvolver os temas trabalhados no encontro, bem como construindo as próprias oficinas e compondo as mesas junto com outros centros acadêmicos da regional NE1.

A programação do Encontro contou com mesas fazendo resgates históricos dos modelos de formação médica e uma rica abordagem que vai muito além do modelo biopsicossocial. Os estudantes puderam participar também de momentos mais abertos para questionamentos e debates em oficinas e painéis divididos em pequenos grupos acerca de temas como indústria farmacêutica, extensão universitária, como funciona a sociedade, exame de ordem, modelos de gestão em saúde, ligas acadêmicas, semana de recepção de calouros e o polêmico Ato Médico.

[Clique aqui para baixar o Caderno de Textos do EREM 2010]

Oficina "Como funciona a sociedade"

Uma avaliação que podemos fazer é que o EREM possibilitou aos que ainda não tinham participado de algum encontro de estudantes expandir a mente quanto às realidades do curso de medicina e sua relação intrínseca com a sociedade, o conceito amplo de saúde e suas determinações sociais, atentando para a importância da formação política do estudante de medicina para construir ao lado dos movimentos sociais e através do movimento estudantil um modelo de sociedade mais justa e igualitária. Não obstante, proporcionou, além da troca de experiências com alunos das outras faculdades do Nordeste, compreender melhor as diferenças entre os diferentes modelos de formação médica.

Delegação da UFS

E aqui vão os depoimentos de alguns estudantes que nos acompanharam  falando o que eles acharam desses 4 dias de encontro:

Está errado quem pensa que encontro estudantil é sinônimo de farra. Fui esse ano pela primeira vez ao EREM mesmo sem ter começado minhas aulas (sou caloura do 2° semestre), pois me interessei pelo tema da formação médica e vi que não era necessário já estar estudando, bastava ter vontade de adquirir novos conhecimentos. Eu me surpreendi com o quanto ganhei. Pude comparar o atual sistema de ensino de medicina da UFS com o de universidades da Bahia e Alagoas, além de ter visto um resgate histórico dos modelos de formação médica. Abri meus olhos com relação à medicina mostrada em cursinho pré-vestibular a qual é tida como sacerdócio e vi que existe medicina muito além de um consultório, na qual o médico considera em seu diagnóstico a interação do paciente com fatores sociais, psicológicos e biológicos, assim como nem sempre ausência de sintomas é atestado de saúde. Pude ver  também que existem pessoas que se preocupam mais com o paciente do que com o salário ganho no fim do mês. (“Sapo é sua mãe filha da puta”) xD

Além do mais fiz várias amizades, muitas da própria UFS e algumas de outras universidades, que serão importantes na minha adaptação no curso de medicina. Enfim, recomendo ir quem ainda tem “preconceitos” , é uma boa experiência.

Rafaela Gomes, pré-caloura.


Confesso que fui pro EREM 2010 pensando: ´´O EREM é mais ‘’farra’’ que outras coisas“. Porém, logo percebi que era muito mais além de farra. O evento integra alunos de diversas faculdades de medicina da NE 1 e de outras universidades afora e conta com diversos eventos voltados a nossa formação acadêmica e social. Durante o evento há diversas oficinas e discussões interessantíssimas sobre diversos temas pertinentes à formação médica, à sociedade e ao movimento estudantil. Destaques para as oficinas de Gênero e Ato Médico. Muito importante também foram as mesas que ocorreram durante o evento, que focaram na discussão dos Modelos de formação Médica com a presença de diversos professores doutores. E não menos importante, ocorreram as festas temáticas que integraram mais ainda os estudantes no EREM. Por fim, parabenizo o Centro Acadêmico de Medicina XIII de Julho (Camed), da UESC e a Co-EREM pelo evento muito bem organizado e por esse ano ter conseguido realizar o evento em um local diferente do comum, o que atraiu e uniu ainda mais os estudantes.

Filipe Emanuel, 2° Período.

UFS e Regional NE1

Manifestações de estudantes de medicina Brasil afora

junho 12, 2010

Motrando como os estudantes de medicina no Brasil estão se mobilizando para solucionar os problemas…

– Vídeo 1:  Manifestação dos estudantes da medicina da UFPR por melhores condições de estudo.

– Vídeo 2: Ocupação vitoriosa da UNIVASF realizada por estudantes de medicina em prol do hospital de ensino.

E quanto a nossa falta de cadáveres? E falta de estrutura pra aulas práticas de Fisiologia? E a falta de condições mínimas pras aulas de Bases da Técnica Cirúrgica?

Como nos moblizaremos? Ou deixaremos como está?

Sobre os “nossos” problemas no curso

junho 12, 2010

O nosso curso de medicina tem pontos positivos. E o nosso curso de medicina também tem problemas. Tal constatação é óbvia e todos nós, estudantes de medicina, nos colocamos de acordo. A nossa dúvida surge no que diz respeito exatamente aos problemas. A falta de cadáveres pros calouros estudarem; a falta de peças pra aulas verdadeiramente práticas de neuroanatomia; a falta de estrutura pra aulas práticas de fisiologia; falta de professores pra Imunologia; más condições das aulas práticas de Bases da Técnica Cirúrgcica, enfim. E o que fazer com isso tudo? Expor? Esconder? Temos dúvidas.

Como estamos dentro do contexto da universidade, fica mais difícil analisar. Vamos tentar começar analisando algum universo do qual estejamos do lado de fora. Já sei, o governo!

O nosso país tem pontos positivos. E o nosso país também tem problemas. Tal constatação é óbvia e todos nós, brasileiros, nos colocamos de acordo. E no que diz respeito aos problemas, conhecemos muitos deles. Desemprego; corrupção; falta de moradia; precarização do trabalho; fome; miséria; desgigualdade social. E o que a gente espera que os governantes façam com isso tudo? Que eles exponham? Que eles escondam? Bom, todo mundo sempre critica quando as mentiras ficam incobertas, quando os casos de corrupção ficam mascarados, quando os políticos tentam passar uma imagem boa de algo que está ruim, não é? Acho que todo mundo aqui desejaria que o governo fosse transparente e verdadeiro, não é mesmo? Principalmente pelo fato de que NÓS os elegemos, então os políticos devem governar para NÓS, e não para eles mesmos. Bom, então vamos tentar voltar pra universidade.

A gente tende a acreditar que estamos estudando na nossa universidade “de graça”. De fato é uma universidade pública. Mas de onde vem o dinheiro para construir os laboratórios, as salas de aula etc? Vem do povo, não é mesmo? O povo paga os impostos que nos mantem estudando. Nós só estamos numa universidade federal graças a esse povo que nos banca com o pagamento de diversas taxas. E o que devemos fazer? Esconder os problemas pra esse povo? Assim como os políticos escondem pros eleitores? Percebem como a analogia funciona? Será que devemos esconder qual a realidade do estudante que esse povo está pagando para ser formado? Esconder que tipo de profissional estará sendo formado pra esse povo? Mascarar a realidade, dizendo que o curso que o povo tá financiando é um curso perfeito, que atenderá a todas as demandas desse povo e que esse povo deve ter orgulho por estarmos perto do jubileu de ouro? E o que faremos quando nos formarmos? Seremos como os políticos que a gente critica e pensaremos apenas em nós, na valorização do noss currículo, na nossa futura resdiência? Ou minimamente retribuiremos ao povo fazendo com que a nossa formação seja voltada pra sociedade em que a gente vive?

Assim como os políticos estão num governo que deve servir aos eleitores, nós estudantes estamos numa universidade que deve servir ao povo. Então é nosso papel agir com transparência, buscando trabalhar com base na realidade objetiva, com verdades, e em cima de tudo isso buscar soluções, porque é isso o que essa sociedade, onde pessoas passam fome, não têm emprego, são vítimas da desigualdade social etc, espera de nós, futuros médicos.

Por isso as ações do coletivo “Seja Realista: Peça o Impossível” visam essa transparência. Porque acreditamos que apenas seguindo o caminho da verdade, buscando que todos os estudantes conheçam a realidade do curso, podemos alterar a realidade da nossa formação. E a História mostra que as grandes mudanças não vieram de reuniões internas e fechadas de departamentos, mas sim de grande mobilizações de movimentos organizados (tá aí o nosso HU, que foi fruto dessas mobilizações). E vamos além, essas mudanças não virão de um grupo vanguardista com uma parcela reduzida de estudantes, nem de briguinhas e ofensas pessoais entre os própios estudantes, mas sim da união de todos os estudantes em prol de um objetivo comum: melhorar a nossa formação.

Para se buscar a melhora de algo, é preciso primeiro perceber que algo está errado. Por isso acreditamos que a realidade objetiva deve ser sempre evidenciada.

Por uma formação de qualidade. Sempre!