Archive for the ‘Textos’ Category

Uma grande perda: José Saramago

junho 20, 2010

Do blog: http://www.culturaalternativa.blogspot.com

Retrato do desmoronar completo da sociedade causado pela cegueira que aos poucos assola o mundo, reduzindo-o ao obscurantismo de meros seres extasiados na busca incessante pelo poder. Crítica pura às facetas básicas da natureza humana encarada como uma crise epidêmica. Mais do que olhar, importa reparar no outro. Só dessa forma o homem se humaniza novamente. Caso contrário, continuará uma máquina insensível que observa passivamente o desabar de tudo à sua volta.” (José Saramago)

Perdemos mais um gênio da literatura. O português José Saramago desencarnou hoje, aos 87 anos.

Era ateu, comunista, sem papas na língua. Revolucionou a Arte e trancendeu a vida. Sua obra maior, o Ensaio sobre a Cegueira, é referência para uma juventude cada vez mais alienada e apegada a futilidades. O livro em si tocava no aspecto sócio-econômico e analisava os processos de mutação pelos quais a Europa estava passando na época, mas pode ser lido como uma ode ao senso crítico, que abre os olhos dos seres humanos. Os cegos eram, ou são, os conformistas. Rendeu até uma continuação, Ensaio sobre a Lucidez, onde continua com as refexões do anterior sob nova ótica. O autor era o mesmo, mas dava-se espaço para outros pontos de vista, como se quem escrevesse era outro.

Saramago, como todo escritor, tinha um jeito só seu de escrever, de modo que quem tentasse imitá-lo falharia. Era de leitura difícil, como é da natureza existencialista. Eu mesmo fui incapaz de decifrar muitas de suas opiniões. Descobri-o numa estante da biblioteca do colégio, quatro anos atrás. O título era Memorial do Convento, por coincidência aquele que o projetou e o fez ser admirado por público e crítica. Já a partir daí, foi um gosto ler aquele exemplar, exercício que me consumiu um longo tempo, é verdade, mas só foi útil para minha vida. Ampliei o conhecimento das coisas ao redor e das coisas mais profundas. Outra característica do mestre: conciliar objetivo e subjetivo, conotação e denotação, razão e emoção.

Saramago morreu já com idade avançada, e estava até hoje a nos fazer refletir. Hoje, literalmente. Seu falecimento data deste 18 de junho. É mais um que fará muita falta, deixando conosco seu legado.

(Texto escrito por Bruno Melo no endereço http://www.culturaalternativa.blogspot.com/2010/06/jose-saramago.html)

Anúncios

Impressões sobre o EREM 2010 Ilhéus-BA

junho 12, 2010

O XIV EREM (Encontro Regional dos Estudantes de Medicina), que ocorreu nos dias 03 a 06 de junho, aconteceu no Colégio Modelo na cidade de Ilhéus-BA e contou com a participação fundamental dos estudantes de medicina da Universidade Federal de Sergipe  nos espaços, com uma delegação de 28 pessoas, dentre eles estudantes do 1° ao 7° período (inclusive dois pré-calouros!). Alguns dos membros do coletivo “Seja Realista: Peça o Impossível” participaram, inclusive, da construção do evento em reuniões presenciais e virtuais, ajudando tanto a escolher como desenvolver os temas trabalhados no encontro, bem como construindo as próprias oficinas e compondo as mesas junto com outros centros acadêmicos da regional NE1.

A programação do Encontro contou com mesas fazendo resgates históricos dos modelos de formação médica e uma rica abordagem que vai muito além do modelo biopsicossocial. Os estudantes puderam participar também de momentos mais abertos para questionamentos e debates em oficinas e painéis divididos em pequenos grupos acerca de temas como indústria farmacêutica, extensão universitária, como funciona a sociedade, exame de ordem, modelos de gestão em saúde, ligas acadêmicas, semana de recepção de calouros e o polêmico Ato Médico.

[Clique aqui para baixar o Caderno de Textos do EREM 2010]

Oficina "Como funciona a sociedade"

Uma avaliação que podemos fazer é que o EREM possibilitou aos que ainda não tinham participado de algum encontro de estudantes expandir a mente quanto às realidades do curso de medicina e sua relação intrínseca com a sociedade, o conceito amplo de saúde e suas determinações sociais, atentando para a importância da formação política do estudante de medicina para construir ao lado dos movimentos sociais e através do movimento estudantil um modelo de sociedade mais justa e igualitária. Não obstante, proporcionou, além da troca de experiências com alunos das outras faculdades do Nordeste, compreender melhor as diferenças entre os diferentes modelos de formação médica.

Delegação da UFS

E aqui vão os depoimentos de alguns estudantes que nos acompanharam  falando o que eles acharam desses 4 dias de encontro:

Está errado quem pensa que encontro estudantil é sinônimo de farra. Fui esse ano pela primeira vez ao EREM mesmo sem ter começado minhas aulas (sou caloura do 2° semestre), pois me interessei pelo tema da formação médica e vi que não era necessário já estar estudando, bastava ter vontade de adquirir novos conhecimentos. Eu me surpreendi com o quanto ganhei. Pude comparar o atual sistema de ensino de medicina da UFS com o de universidades da Bahia e Alagoas, além de ter visto um resgate histórico dos modelos de formação médica. Abri meus olhos com relação à medicina mostrada em cursinho pré-vestibular a qual é tida como sacerdócio e vi que existe medicina muito além de um consultório, na qual o médico considera em seu diagnóstico a interação do paciente com fatores sociais, psicológicos e biológicos, assim como nem sempre ausência de sintomas é atestado de saúde. Pude ver  também que existem pessoas que se preocupam mais com o paciente do que com o salário ganho no fim do mês. (“Sapo é sua mãe filha da puta”) xD

Além do mais fiz várias amizades, muitas da própria UFS e algumas de outras universidades, que serão importantes na minha adaptação no curso de medicina. Enfim, recomendo ir quem ainda tem “preconceitos” , é uma boa experiência.

Rafaela Gomes, pré-caloura.


Confesso que fui pro EREM 2010 pensando: ´´O EREM é mais ‘’farra’’ que outras coisas“. Porém, logo percebi que era muito mais além de farra. O evento integra alunos de diversas faculdades de medicina da NE 1 e de outras universidades afora e conta com diversos eventos voltados a nossa formação acadêmica e social. Durante o evento há diversas oficinas e discussões interessantíssimas sobre diversos temas pertinentes à formação médica, à sociedade e ao movimento estudantil. Destaques para as oficinas de Gênero e Ato Médico. Muito importante também foram as mesas que ocorreram durante o evento, que focaram na discussão dos Modelos de formação Médica com a presença de diversos professores doutores. E não menos importante, ocorreram as festas temáticas que integraram mais ainda os estudantes no EREM. Por fim, parabenizo o Centro Acadêmico de Medicina XIII de Julho (Camed), da UESC e a Co-EREM pelo evento muito bem organizado e por esse ano ter conseguido realizar o evento em um local diferente do comum, o que atraiu e uniu ainda mais os estudantes.

Filipe Emanuel, 2° Período.

UFS e Regional NE1

Sobre os “nossos” problemas no curso

junho 12, 2010

O nosso curso de medicina tem pontos positivos. E o nosso curso de medicina também tem problemas. Tal constatação é óbvia e todos nós, estudantes de medicina, nos colocamos de acordo. A nossa dúvida surge no que diz respeito exatamente aos problemas. A falta de cadáveres pros calouros estudarem; a falta de peças pra aulas verdadeiramente práticas de neuroanatomia; a falta de estrutura pra aulas práticas de fisiologia; falta de professores pra Imunologia; más condições das aulas práticas de Bases da Técnica Cirúrgcica, enfim. E o que fazer com isso tudo? Expor? Esconder? Temos dúvidas.

Como estamos dentro do contexto da universidade, fica mais difícil analisar. Vamos tentar começar analisando algum universo do qual estejamos do lado de fora. Já sei, o governo!

O nosso país tem pontos positivos. E o nosso país também tem problemas. Tal constatação é óbvia e todos nós, brasileiros, nos colocamos de acordo. E no que diz respeito aos problemas, conhecemos muitos deles. Desemprego; corrupção; falta de moradia; precarização do trabalho; fome; miséria; desgigualdade social. E o que a gente espera que os governantes façam com isso tudo? Que eles exponham? Que eles escondam? Bom, todo mundo sempre critica quando as mentiras ficam incobertas, quando os casos de corrupção ficam mascarados, quando os políticos tentam passar uma imagem boa de algo que está ruim, não é? Acho que todo mundo aqui desejaria que o governo fosse transparente e verdadeiro, não é mesmo? Principalmente pelo fato de que NÓS os elegemos, então os políticos devem governar para NÓS, e não para eles mesmos. Bom, então vamos tentar voltar pra universidade.

A gente tende a acreditar que estamos estudando na nossa universidade “de graça”. De fato é uma universidade pública. Mas de onde vem o dinheiro para construir os laboratórios, as salas de aula etc? Vem do povo, não é mesmo? O povo paga os impostos que nos mantem estudando. Nós só estamos numa universidade federal graças a esse povo que nos banca com o pagamento de diversas taxas. E o que devemos fazer? Esconder os problemas pra esse povo? Assim como os políticos escondem pros eleitores? Percebem como a analogia funciona? Será que devemos esconder qual a realidade do estudante que esse povo está pagando para ser formado? Esconder que tipo de profissional estará sendo formado pra esse povo? Mascarar a realidade, dizendo que o curso que o povo tá financiando é um curso perfeito, que atenderá a todas as demandas desse povo e que esse povo deve ter orgulho por estarmos perto do jubileu de ouro? E o que faremos quando nos formarmos? Seremos como os políticos que a gente critica e pensaremos apenas em nós, na valorização do noss currículo, na nossa futura resdiência? Ou minimamente retribuiremos ao povo fazendo com que a nossa formação seja voltada pra sociedade em que a gente vive?

Assim como os políticos estão num governo que deve servir aos eleitores, nós estudantes estamos numa universidade que deve servir ao povo. Então é nosso papel agir com transparência, buscando trabalhar com base na realidade objetiva, com verdades, e em cima de tudo isso buscar soluções, porque é isso o que essa sociedade, onde pessoas passam fome, não têm emprego, são vítimas da desigualdade social etc, espera de nós, futuros médicos.

Por isso as ações do coletivo “Seja Realista: Peça o Impossível” visam essa transparência. Porque acreditamos que apenas seguindo o caminho da verdade, buscando que todos os estudantes conheçam a realidade do curso, podemos alterar a realidade da nossa formação. E a História mostra que as grandes mudanças não vieram de reuniões internas e fechadas de departamentos, mas sim de grande mobilizações de movimentos organizados (tá aí o nosso HU, que foi fruto dessas mobilizações). E vamos além, essas mudanças não virão de um grupo vanguardista com uma parcela reduzida de estudantes, nem de briguinhas e ofensas pessoais entre os própios estudantes, mas sim da união de todos os estudantes em prol de um objetivo comum: melhorar a nossa formação.

Para se buscar a melhora de algo, é preciso primeiro perceber que algo está errado. Por isso acreditamos que a realidade objetiva deve ser sempre evidenciada.

Por uma formação de qualidade. Sempre!

Audiência Pública: nas vésperas do aniversário da UFS quem ganhou o bolo foram os estudantes. E não foi de chocolate.

maio 15, 2010

Audiência Pública é transferida para dia 26 de maio  Encontro tratará da contratação de professores, obras e restaurante universitário, entre outros pontos

O Reitor transfere, por motivo de incompatibilidade de agenda, audiência pública prevista para o dia 13 de maio, às 9 horas, no auditório da Reitoria, para o dia 26 de maio, a ser realizada no mesmo horário e local, com os seguintes pontos de pauta: 1) a expansão da UFS e a contratação de professores, a aquisição de equipamentos e a ampliação do espaço físico; 2) a questão da meia-passagem dos estudantes da pós-graduação, residentes do campus de Laranjeiras e os estudantes do Ensino a Distância; 3) a situação atual do Restaurante Universitário; 4) espaço físico para centros e diretórios acadêmicos; e 5) reestruturação do Hospital Universitário.

A Reitoria”

http://www.ufs. br/?pg=noticia&id=2347

Todo mundo aqui já tomou um bolo. E todo mundo aqui sabe que não é bom tomar um bolo. Imagine você marcar um encontro com uma semana de antecedência, se preparar durante toda a semana, comprando roupas novas, perfume, treinando o que vai falar quando encontrar a pessoa etc, e quando chega no dia a pessoa não aparece e você descobre só depois que ela tinha deixado de última hora, na noite da véspera do encontro, um recado dizendo que não iria por “incompatibilidade de agenda”. É pra se ficar muito puto, não é mesmo?

E o que dizer então quando o encontro é uma audiência pública com a reitoria? Quando o objetivo do encontro é conversar sobre as más condições da nossa universidade. Quando a comunidade acadêmica e toda a sociedade está no direito de receber explicações da reitoria sobre os diversos problemas que encontramos. Quando estudantes que acreditam na importância desse diálogo passam a semana abdicando do seu tempo de lazer, de descanso, passando nas salas e fazendo o possível e o impossível para divulgar essa audiência. E quando a reitoria, numa nota minúscula no site da UFS, em cima da hora, na noite da véspera de uma audiência marcada com uma semana de antecedência, diz que a audiência foi remarcada para mais de 10 dias depois por “incompatibilidade de agenda”, desrespeitando toda a comunidade acadêmica da UFS. É pra se ficar mais puto ainda, não é mesmo?

E aí então eu pergunto: incompatibilidade de agenda? Será mesmo? Será mesmo que o nosso querido REI-tor Josué Modesto só foi descobrir na noite anterior da audiência que não haveria espaço na agenda? E por que ele marcou essa audiência com uma semana de antecedência pro dia e horário específico então? Outra coisa, será que de fato o que o reitor foi fazer na quinta pela manhã era mais importante que uma AUDIÊNCIA PÚBLICA MARCADA COM UMA SEMANA DE ANTECEDÊNCIA COM A COMUNIDADE ACADÊMICA DA UFS E ABERTA A TODA SOCIEDADE? É inevitável, lendo todas essas perguntas só me vêem “não”s na cabeça.

Então, fica cada vez mais na cara que se tratou de uma manobra da reitoria para desmobilizar os estudantes. Para tentar enfraquecer todo o movimento que está sendo feito em prol de melhorias da universidade, desde toda a discussão no Fórum de Mobilização Estudantil sobre esses problemas, passando por todo o esforço em se organizar o ato público e terminando na dedicação dos estudantes em divulgar a audiência pública. Dos estudantes e SÓ dos estudantes. Vejam que esse tipo de coisa o “DAA Informa” não informa. Vejam que a reitoria, pateticamente, divulgou o cancelamento da audiência (“não venham, estudantes”) sem mesmo ter divulgado a própria audiência (que seria o “venham estudantes”), o que prova que o reitor Josué não quer meia com os estudantes, não quer diálogo nem nada que lembre democracia. É preciso ressaltar que durante toda a semana, estudantes que se organizam no Fórum de Mobilização Estudantil foram diversas vezes a reitoria em busca de um documento que comprovasse que a audiência estava marcada. Mas a gente recebia sempre como resposta um “volte depois” e por final um “ah, não precisa de documento não, a audiência tá marcada”. Ou seja, colegas, fica claro que já era sabido por parte da reitoria que não haveria audiência pública. Foi uma grande piada com a nossa cara. Foi uma grande piada com a cara dos estudantes da UFS. Foi uma grande piada com os professores e servidores. Foi uma grande piada inclusive com a sua cara também, que está lendo esse texto e faz parte da universidade.

Sim, estamos muito putos! Mas não adianta sentar e chorar. É preciso transformar toda a indignação em movimento. É preciso que nós estudantes não nos conformemos em sermos alvos de piada sem graça. É preciso mais ainda que compareçamos em peso à audiência do dia 26, para mostrar que se a reitoria adia audiência, NÓS NÃO ADIAMOS A MOBILIZAÇÃO!

Para saber os motivos da audiência pública, basta conferir:

Texto escrito por Jean Prestes
Acadêmico do 3º período de medicina da UFS

A medicina, o salário e os sorrisos

maio 15, 2010

No dia em que o primeiro ser humano na história se preocupou e tentou cuidar da saúde de alguém, provavelmente não se tinha descoberto a roda, provavelmente não se controlava o fogo, mas provavevelmente já existiam sorrisos e algum tipo de alegria. E foi justamente a falta desses sorrisos e dessa alegria, por algum problema de saúde, que provavelmente motivou o primeiro ser humano na história a cuidar da saúde de alguém e assim exercer minimamente algo que viria a ser chamado de medicina.

Hoje, nessa tal medicina nós sabemos que esse cuidado verdadeiro com a saúde de alguém, com a manutenção dos sorrisos e das alegrias, não é mais em geral o maior motivador do exercício médico. Hoje, a motivação é o status de ser médico. O próprio jaleco, um mero acessório de proteção individual, e o estetoscópio, um mero instrumento para ausculta cardíaca, se tornaram símbolos de poder. E por que será que ser médico hoje dá tanto status? E onde foi parar a essência do ato de cuidar?

A sociedade em que vivemos é uma sociedade onde o homem explora o próprio homem. Onde pessoas passam fome, vivem na miséria, para que haja o enriquecimento de uma minoria no mundo. O grande motivador das relações humanas é o dinheiro. Não há uma mínima preocupação, por exemplo, em se demitir funcionários e fazer com que mais pessoas fiquem sem empregos e tenham dificuldades em manter a própria sobrevivência e a sobrevivência da família se tudo isso fizer com que os lucros da sua empresa aumente e você se torne mais rico para futilizar a sua sobrevivência com carros do ano, grandes mansões e outras coisas que são supérfluas em comparação à grande miséria que existe hoje no mundo. A verdade é que o mundo está deteriorado, e nós temos culpa direta nisso.

É dentro desse contexto que se encontra hoje a medicina. O interesse não é verdadeiramente cuidar da saúde das pessoas. Cuidar da saúde das pessoas é simplesmente um meio para se conseguir muito dinheiro e, consequentemente, muito status. Hoje tem gente chamando pacientes de “clientes”. Hoje há uma preocupação em se atender bem meramente para se conquistar o cliente. A medicina está extremamente capitalizada. A saúde extremamente mercantilizada. Hoje, queremos recuperar o sorriso apenas de quem tem dinheiro para pagar por isso. Provavelmente o primeiro homem na história que se preocupou com a saúde de alguém, numa época onde não existia roda nem fogo, se preocuparia hoje com a situação em que vivemos.

Estamos vivendo uma época de grande evolução das tecnologias. E a medicina não foge a isso. Eletrocardiogramas, ressonâncias magnéticas, cirurgias a laser. Nos gabamos de termos uma medicina cada vez mais evoluída, com instrumentos cada vez mais de última geração, com técnicas de diagnóstico avançadíssimas. Mas devemos nos perguntar e responder com sinceridade: a quem tudo isso tem servido? Será que o objetivo dessas tecnologias todas é fazer a manutenção de sorrisos e alegrias? Tem muita gente que não consegue sorrir, por estar passando fome, e que nunca saberá o que é uma ressonância magnética na vida.

Eu faço um convite àqueles que se importam com o sorriso e a alegria das pessoas, que se identificam mais com o primeiro ser humano na história que se preocupou com a saúde de alguém do que com toda essa exploração que anda acontecendo no mundo. Ainda é possível ser médico na essência. É possível atuar na saúde pública, se dedicando aos sorrisos daqueles que mais precisam. É possível lutar para que o SUS, fruto de movimentos históricos, possa ser na prática o que ele é na teoria. É possível atuar nas comunidades mais carentes, visitando as casas daqueles que têm menos condições de se deslocar para procurar atendimento. É possível enxergar o jaleco e o estetoscópio como instrumentos de luta e não de status. É possível ser um profissional que faça algo que tenha sentido para o mundo.

Sejamos verdadeiramente grandiosos. A grandiosidade não está na condição financeira, no carro ou na mansão. A grandiosidade está na sua atuação no mundo enquanto ser humano que faz parte desse mundo. Sejamos tão grandiosos, ao ponto de evoluirmos em direção à pré-história, onde existiu um homem que pela primeira vez na história se preocupou com a saúde de alguém, num tempo em que não havia fogo, roda, jaleco, estetoscópio, mas existiam sorrisos e as pessoas se peocupavam com eles.

Texto escrito por Jean Prestes
Acadêmico do 3º período de medicina da UFS

Newton X DAA

maio 9, 2010

A ciência sempre evolui. Novas teses são formuladas e ficam como verdades durante séculos, anos, meses, dias… Até que alguém consiga provar o contrário. Sempre estudamos na Física aquela velha frase de Newton: dois corpos não podem ocupar, ao mesmo tempo, um mesmo lugar no espaço. Entretanto, a Universidade Federal de Sergipe, através do DAA, formulou uma tese contrária e a pôs em prática. Uma das turmas do segundo período de Medicina tem aula prática de microbiologia geral no mesmo horário e no mesmo espaço que outra turma de outro curso, mas a mesma matéria. E, infelizmente, eu como aluno de tal turma concluí que a tese do DAA é falha, pois é inviável a aula dessa maneira. Por tanto Newton, nessa, venceu…

Mas não pense que a produção cientifica do DAA parou por ai…Eles formularam outra tese:

“Aula de Embriologia em Local Indeterminado…”. Agora pensem um pouco: como pode ser uma aula em um lugar não determinado? É simples a resposta: não há aula. É uma pena, mas a segunda tese do DAA caiu. E os alunos como é que ficam? Ficam sem aula.

Sobre tudo isso que ocorreu, escrevi, na 3ª semana, uma carta que teve o apoio de alguns alunos da turma de medicina 2009/2 e a entreguei ao chefe do Departamento de Morfologia para que o DMO tomasse alguma providência, pois não podemos ficar sem as aulas.  O chefe do DMO ficou de responder as cartas e de tentar resolver os problemas. Ele disse que o problema é a falta de microscópio e que já havia feito o pedido e quando os microscópios chegarem as aulas de Microbiologia voltariam ao normal em outra sala e as de Embriologia seriam transferidas do “local indeterminado” para outra sala (local determinado). Mas, estamos na 7ª semana de aula e nada de microscópios!!!

E os professores, o que fizeram em relação a essas teses furadas? O que podiam, né! A professora de Microbiologia alterna com o outro professor as aulas. Já o professor de embriologia alterna suas aulas práticas com outra turma. 

De repente o DAA pensou que as salas de aula fossem assim:


Texto escrito por Luís Filipe (Polinômios)
acadêmico do 2º período do curso de medicina da UFS

E o REHUF passa na surdina na UFS…

maio 2, 2010

Companheir@s,

Dentro do pacote do governo para a “expansão e reestruturação” do ensino superior no Brasil, mais um elemento ganha destaque nessa problemática: O REHUF (Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais). Esse projeto, aprovado sem discussão com os atores que atuam nas universidades, é passado para a comunidade universitária como uma oportunidade de ampliar a estrutura física dos hospitais universitários.

Ate aí não há nenhum problema. O engodo dá-se na forma como os hospitais serão estruturados. Entre outros fatores podemos destacar: O gerenciamento empresarial da instituição. Parceria direta com a iniciativa privada, acarretando um direcionamento ainda maior de nossas pesquisas e dos projetos de extensão para o setor privado. Além disso, o plano prega o fim das licitações e prestações de contas. Como saberemos onde o dinheiro investido está sendo usado? Flexibilização das contratações, que não contemplam – por exemplo – o direito a greve pelos trabalhadores. A produtividade é medida pela quantidade de serviços e não pela qualidade em si. Ademais, como conseqüência de tudo, teremos uma formação médica voltada inteiramente para os interesses do mercado e não uma formação socialmente referenciada.

Por fim, acreditamos que o REHUF não é apenas uma busca por solução técnica dos problemas da saúde pública. Esse plano sinaliza uma proposta política direcionada para o fomento do setor privado.


Texto escrito por Paulo Pontes
acadêmico do 3º período do curso de medicina da UFS

Leia mais sobre o REHUF:

RESUN para os estudantes: Até quando?

maio 2, 2010

Estudantada,

Sabemos que o Restaurante universitário é hoje um dos símbolos de uma luta histórica dos estudantes por melhorias na assistência estudantil. A universidade não basta “oferecer ” ensino e promover espaços para a pesquisa e extensão. É função dessas instituições públicas o acesso de qualidade dos estudantes, servidores e professores.  Nesse contexto, o Restaurante Universitário da UFS cumpre uma função muito importante na permanência dos estudantes e trabalhadores na longa maratona de estudos e na exaustiva jornada de trabalho dos funcionários.

O Fórum de Mobilização Estudantil- FME, através do ato que será realizado nesta quinta feira, irá levar a questão do RESUN para ser explicada em audiência pública pela Reitoria. O fato é que as filas aumentam cada vez mais. O número de funcionários estatais diminui, enquanto a demanda pelo uso do RESUN aumenta.

Some-se a isso a precárias condições do restaurante. Se tudo isso não bastasse, ainda existe o perigo de a reitoria privatizar ou terceirizar o RESUN (seja lá qual for o apelido que o poder público use para tirar a autonomia e o caráter estatal do serviço). Se essa idéia vingar, a tendência dos preços da comida servida é aumentar. E então, não é difícil de concluir que a função do RESUN deixará de existir: Proporcionar a permanência dos estudantes e trabalhadores na Universidade. Passará a ser: proporcionar o lucro para o setor privado e o aumento do ônus público com investimentos no setor privado.

Por um RESUN estatal, que cumpra a assistência estudantil e que seja verdadeiramente público!!!


Texto escrito por Paulo Pontes
acadêmico do 3º período do curso de medicina da UFS

O que a precariedade das aulas práticas do curso de medicina na UFS tem a ver com a falta de câmeras nas aulas de fotografia dos cursos de comunicação e com a desigualdade social?

abril 25, 2010

Inicialmente pode parecer que são problemas pontuais, cada qual pertencendo ao seu âmbito especial. O problema das más condições (ou até mesmo ausência) das aulas práticas de medicina são problemas do curso de medicina da UFS, institucionalizado no DME. A falta de câmeras fotográficas para o curso de comunicação é um problema da alçada do curso de comunicação. Já a desigualdade social é meramente um problema do governo. Por essa lógica, inevitavelmente surge aquela batida pergunta:

O que diabos, eu, estudante, tenho a ver com isso?

A resposta para isso pode vir de uma outra pergunta: será que as coisas são tão independentes assim?

Nós temos o costume de analisar as coisas fechadas em si mesmo, sem buscar profundamente a origem delas, sem comparar diversos aspectos de coisas que parecem diferentes mas às vezes fazem parte do mesmo universo. Isso nos leva a imaginar que os fatos são sempre isolados. Mas na verdade as coisas se interseccionam muito mais do que podemos imaginar.

Antes de tentarmos analisar, por exemplo, o porquê de as aulas práticas de Bases da Técnica Cirúrgica estarem sendo ministradas em um ambulatório minúsculo, onde estudantes assistem às aulas amontoados, sentados nas macas, onde não há sequer espaço para projeção de slides etc, devemos nos atentar para o fato de que a disciplina Bases da Técnica Cirúrgica está inserido em um contexto maior, junto com outras disciplinas, que é o do curso de medicina. O curso de medicina por sua vez, junto com vários outros cursos, está inserido na Universidade Federal de Sergipe. A UFS, adentrando o grupos das universidades brasileiras, está inserida dentro da sociedade em que vivemos. E será que podemos ignorar esses aspectos? Eu acho que não.

Vivemos em uma sociedade regida pelo sistema capitalista. Isso não é novidade pra ninguém. Mas nunca é demais relembrar que tal sistema é extremamente opressor, que tem como o objetivo o lucro e o consegue através da exploração da classe trabalhadora, que tem como controlador das relações o mercado. É um sistema excludente e que gera desigualdade social, que gera fome, miséria. Um sistema injusto, onde não há igualdade nem liberdade. E pra quem acha viagem demais analisar as coisas partindo dessa óptica, vamos descendo o aviãozinho pra ver onde ele pode pousar.

A realidade das universidades brasileiras hoje é uma realidade totalmente inserida nessa lógica do sistema capitalista. A universidade não tem sido socialmente referenciada. As pesquisas não são feitas com base nas necessidades da população. Quase não há extensão. A universidade não tem servido ao povo. Toda a formação visa o mercado de trabalho. O curso de medicina não forma médicos que atuem em conjunto com outros profissionais da saúde para atuação no SUS (que, lembrando, é o sistema de saúde que nós adotamos no Brasil, que possui aspectos extremamente positivos, como a possibilidade de permitir saúde acessível universalmente à população e de onde toda a precariedade tão explicitada na mídia vem boa parte pelo não cumprimento na prática do que o SUS é na teoria). Mas pelo contrário, nós estudantes de medicina nos formamos tendo repulsa ao Sistema Único de Saúde e já pensando em nos especializar e montar nosso próprio consultório sem nos questionarmos se de fato saúde deveria ser uma mercadoria a ser vendida. Os estudantes de Comunicação são formados para trabalhar em grande empresas que detêm o poder dos veículos de comunicação e compõem o grande poder hegemônico manipulador da mídia. E é assim que todos os cursos nas universidades são encarados. Na mesma lógica opressora, egoísta e exploradora do capitalismo.

Descendo mais um pouco o avião e pousando na nossa querida Universidade Federal de Sergipe, a gente percebe que tal lógica se consolidou ainda mais com a aprovação do REUNI em 2007. O REUNI – Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades – mereceria uma análise totalmente a parte, mas tentaerei me deter aos pontos principais. Embora o REUNI pareça algo bom, numa análise precoce, por expandir a universidade, aumentar o número de vagas fazendo com que mais pessoas tenham acesso ao Ensino Superior, precisamos nos perguntar inicialmente: que universidade é essa e pra onde tá indo essa expansão?. Me deterei a explanar o objetivo principal do REUNI e suas duas grandes metas.

  • Objetivo do REUNI: criar condições para a ampliação do acesso e permanência na educação superior, utilizando-se do melhor aproveitamento da estrutura física e dos recursos humanos atualmente existentes nessas instituições.

Criar condições, ampliar, permanência, melhor aproveitamento. São expressões que nos levam a ter uma avaliação positiva sobre essa reforma. Porém, analisando com cuidado, percebemos a contradição principal de tudo isso. O REUNI se propõe a expandir a universidade, porém APROVEITANDO A ESTRUTURA FÍSICA ATUAL E OS RECURSOS HUMANOS EXISTENTES. E será que a nossa estrutura física já dá conta da quantidade de estudantes que nós temos? Será que já temos uma quantidade de professores suficientes? Eu acho que não. E aí é possível perceber que a tal “ampliação” na verdade é uma deterioração total da universidade. Toda a precariedade é mantida e mais estudantes são colocados dentro dessa precariedade. Todo o problema só piora.

E as metas do REUNI só quantificam o seu objetivo de deteriorar a universidade:

  • Aumento de quase 100% do número de alunos por professor na graduação, atingindo a média de 18 alunos por docente.

Não bastasse o fato de não termos professores o suficiente para dar conta do ensino, da pesquisa e da extensão na universidade, há ainda a meta de aumentar ainda mais o número de alunos por professor.

  • Ampliação da taxa de conclusão nos cursos de graduação para 90% em média.

Tal meta deixa clara a falta de preocupação com a qualidade da formação do estudante e o objetivo unicamente de aumentar a “linha de produção” da universidade, fazendo com que cada vez mais estudantes entrem nela e saiam cada vez mais rápido para serem jogados dentro do mercado de trabalho.

Ninguém, eu acredito, seja contra a expansão das universidades. o problema é que não está havendo uma expansão de fato. Não se fala em Assistência Estudantil e em como os estudantes ingressantes podem se manter dentro da universidade. A ampliação da universidade deve ser feita de maneira não só quantitativa, mas também – e principalmente – qualitativa. Mas o REUNI é claramente um programa que visa a geração de números. Aumentar as porcentagens de ingressos na universidade, a porcentagem de graduados, sem minimamente se preocupar com a formação desse profissional. Então novos cursos de Comunicação são abertos, mais estudantes acessam o curso, mas que curso é esse onde existem apenas três câmeras fotográficas para aproximadamente 300 estudantes que cursam a matéria Fotografia? E o curso de Educação Física, que tem aulas de natação na sala de aula, usando-se o QUADRO. Será que todos esses problemas não estão interligados?

Se você ainda está tendo dificuldade de visualizar, vamos aumentar o zoom e chegar finalmente no curso de medicina da UFS. Eu faço uma pergunta simples: nossa formação tem sido a ideal? Nossa estrutura é a ideal? Nosso quadro docente é o ideal? Vários aspectos mostram que não. A situação das aulas práticas no HU (vide textos escritos por Adriana Freitas e publicados no blog do coletivo) e mesmo no Básico (como são as aulas “práticas” de fisiologia e neuroanatomia, por exemplo?) deixam bastante claro o quanto nosso curso de medicina precisa urgentemente de melhorias. Não obstante esse fato, nos deparamos com a abertura de UM NOVO CURSO DE MEDICINA no Campus de Lagarto? Você nunca parou pra se perguntar sobre isso? Se perguntar se o nosso curso já é assim tão perfeito pra um totalmente novo ser aberto em outro campus. Mais uma vez, ninguém é contrário a idéia de se expandir o curso de medicina para o interior de Sergipe. O problema é sempre a maneira como as coisas são feitas. Você também não se perguntou se esse novo curso de medicina em Lagarto será de fato um curso ideal? Ou será que, não bastasse um, teremos agora dois cursos de medicina com problemas. Se nunca se perguntou, comece a se perguntar, companheiro, pois se você resistiu e chegou até esse momento do texto, já deve estar sendo capaz de interligar os problemas do curso de medicina, com outros cursos, com a UFS, com a realidade das universidades, com o REUNI, com o sistema capitalista.

Então, colegas, é impossível isolar os problemas e as contradições nas quais diariamente nos encontramos. É preciso buscar a raiz verdadeira de cada problema. Nosso curso de medicina tem problemas pelo mesmo motivo que a galera de Comunicação. Tais problemas estão sendo ampliados pelo REUNI, que não foge de toda o sistema que “organiza” a sociedade em que vivemos.

Por fim, faço um apelo para que nós, estudantes, nos identifiquemos enquanto um grupo que deve resistir e lutar por melhorias nos nossos cursos, na nossa universidade e, por que não, não nossa sociedade. Pressionar os departamentos e outras instâncias burocráticas da universidade para que possamos ter condições ideais de ensino, pesquisa e extensão, mas sabendo que essa luta pontual não é o suficiente para mudar todo o sistema educacional do país. Precisamos no mobilizar e protestar, através de abaixo-assinados, atos ou simplesmente com a nossa voz dentro das salas de aula e dos outros espaços da universidade.

E que a universidade possa se pintar de povo!


Texto escrito por Jean Prestes
acadêmico do 3º período do curso de medicina da UFS

Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço?

abril 25, 2010

Desde criança costumam nos ensinar, tanto em casa como nas escolas primárias, que devemos ter noções mínimas de higiene: lavar as mãos antes e depois das refeições, jogar o lixo nas lixeiras, sempre lavar as mãos após ir ao banheiro ou chegar da rua, etc. Durante toda a nossa via acadêmica, aprendemos que a falta de higiene pode levar o indivíduo e toda uma comunidade a sofrer sérios problemas de saúde, por transmissão direta e indireta de um alarmante número de doenças.

No entanto, apesar da prática de higiene nos parecer, de certa forma, óbvia e primária, a necessidade da higienização das mãos, por exemplo, é reconhecida também pelo governo brasileiro, quando inclui recomendações para esta prática no Anexo IV da Portaria 2616/98 do Ministério da Saúde, que instrui sobre o Programa de Controle de Infecções Hospitalares nos estabelecimentos de assistência à saúde no País.

Apesar da significativa importância da higiene, principalmente entre os profissionais e acadêmicos da área da saúde, nós, da Universidade Federal de Sergipe e que estudamos no Campus da Saúde – Prof. João Cardoso Nascimento Júnior, não vivenciamos na prática o que vemos exaustivamente na teoria.

No nosso cotidiano, nos deparamos com o mais variado número e tipo de patologias, cada uma com sua especificidade, gravidade e grau de contágio. Como norma básica, a lavagem das mãos seria imprescindível para evitar não só uma contaminação pessoal, como também uma transmissão em massa de inúmeros tipos de doença. No entanto, ao irmos aos banheiros nos deparamos com situações deploráveis de higiene sanitária.

Para nós, estudantes da área da saúde, já se tornou “normal” utilizarmos banheiros sem porta, sem papel higiênico, sem sabão, com poças de água pelo chão, sem descarga nos vasos sanitários, vasos sem tampa, mictórios quebrados e agora com a mais nova novidade: pias improvisadas com baldes!

Além de ser humilhante vivenciarmos tais condições diariamente, é revoltante ver a justificativa de muitos para isso: “É assim mesmo, você está numa FEDERAL!” ou então “Mas foram vocês mesmos (estudantes) que quebraram!”. Será que Universidade Pública é sinônimo de descaso e Estudante é sinônimo de vandalismo? Ao nosso ver, não.

Apesar de ter consciência de que uma parte desses problemas foi causada por algum(s) estudante(s) que têm o “espírito de destruição correndo nas veias”, o bom senso é fundamental na análise de que não se pode generalizar uma classe por ações pontuais de uma minoria sem ética e respeito pelo bem coletivo.

Como conseqüência disso, somos impedidos de utilizar alguns banheiros que certamente não foram construídos para uso exclusivo de funcionários. Na didática onde se encontra a biblioteca da saúde, por exemplo, existem 6 banheiros, sendo 3 masculinos e 3 femininos. Apesar do número de acadêmicos ser expressivamente superior ao número de funcionários que trabalham nesta didática, apenas 1 banheiro feminino e 1 masculino são disponibilizados para os acadêmicos (nas condições citadas anteriormente! ). E o banheiro da biblioteca e o que fica em frente ao auditório? Esses vivem trancados para que não tenhamos acesso.

Para evitar me estender mais, não entrarei em detalhes com relação aos banheiros do CCBS e das outras didáticas, pois quem aqui convive sabe que as condições são bastante semelhantes.

Fica no ar, portanto, um questionamento: o que justifica isso? Como admitir que em um campus da saúde nós vivenciemos práticas de transmissão contínua de doenças?

Será que a partir de agora devemos começar a dizer aos nossos pacientes “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço.” ?

Texto escrito por Adriana Freitas
acadêmica do 6º período de medicina