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Bases da Técnica Cirúrgica: como é na UFS? Como é na UNIVASF? Compare!

maio 30, 2010

http://www.youtube.com/watch?v=jLUePrgy1H8

Bom, pessoal, não contentes em apenas citar a falta de estrutura para as aulas práticas de Bases da Técnica Cirúrgica e dizer que em outras universidades esses problemas não acontecem, resolvemos organizar um vídeo e mostrar a realidade nua e crua das aulas práticas dessa disciplina no 6º período de medicina da UFS e mostrar o exemplo concreto de uma universidade onde essa mesma disciplina é ofertada minimamente nas condições práticas necessárias.

Mas aí uns retrucarão:

– Claro, numa universidade particular é tudo muito lindo

E aí a gente responde: trata-se de uma UNIVERSIDADE PÚBLICA, FEDERAL.

– Mas ah, nem se compara a verba que as universidade federais do sul recebem em relação às universidades do nordeste.

E aí mais uma vez a gente responde: trata-se de uma universidade federal, pública, no SERTÃO NORDESTINO.

Vejam vocês mesmos! Depoimentos de estudantes da UNIVASF e depoimentos de estudantes da UFS que estão pegando essa disciplina. As discrepâncias são evidentes!

Nós do coletivo estamos tentando problematizar essa questão da falta de estrutura da disciplina Bases da Tecnica Cirúrgica há algum tempo e esse vídeo ajuda bastante nesse sentido. Mas como apenas problematizar não resolve as questões, a gente espera que mais estudantes se organizem junto com a gente para tentar pensar em ações que possam combater esses problemas e ir em defesa de uma formação médica de qualidade dentro da nossa UFS!

Para acessar o vídeo clique aqui ou no link: http://www.youtube.com/watch?v=jLUePrgy1H8

POR UMA FORMAÇÃO MÉDICA COM PRÁTICA DE QUALIDADE!

Audiência pública com o reitor na quinta (13/05)!

maio 9, 2010

Digae estudantada!

Conforme divulgado pelo boletim passado, ocorreu na última quinta-feira um ato público puxado pelos centros e diretórios acadêmicos e coletivos que se organizam no Fórum de Mobilização Estudantil – FME, com o objetivo de se conseguir uma audiência pública com o reitor Josué para que ele possa explicar pra toda a comunidade acadêmica e também pra sociedade (que paga os impostos que mantém a universidade) sobre os diversos problemas da UFS (falta de estrutura e professores, precariedade do RESUN, falta de espaços físicos para os centros acadêmicos, a perda do direito por parte de alguns estudantes à meia passagem e o REHUF, programa de reestruturação dos hospitais universitários que foi aprovado sem um mínimo de diálogo com os funcionários e estudantes). E temos uma boa notícia:

O ATO SAIU VITORIOSO!

Conseguimos que o reitor marcasse a audiência pública para a próxima quinta (dia 13) às 9h no auditório da reitoria.

Mas a luta não termina aí!

Precisamos marcar presença na audiência para cobrar explicações sobre a situação da nossa universidade. E, especificamente para nós, estudantes de medicina, cobrar explicações sobre o “tal REHUF” que ninguém ainda conhece bem.

QUINTA-FEIRA, 9H, AUDITÓRIO DA REITORIA

Confira os vídeos do ato de quinta-feira passada (06/05)

ESTUDANTES MOBILIZADOS POR MELHORIAS NA NOSSA UNIVERSIDADE!

Newton X DAA

maio 9, 2010

A ciência sempre evolui. Novas teses são formuladas e ficam como verdades durante séculos, anos, meses, dias… Até que alguém consiga provar o contrário. Sempre estudamos na Física aquela velha frase de Newton: dois corpos não podem ocupar, ao mesmo tempo, um mesmo lugar no espaço. Entretanto, a Universidade Federal de Sergipe, através do DAA, formulou uma tese contrária e a pôs em prática. Uma das turmas do segundo período de Medicina tem aula prática de microbiologia geral no mesmo horário e no mesmo espaço que outra turma de outro curso, mas a mesma matéria. E, infelizmente, eu como aluno de tal turma concluí que a tese do DAA é falha, pois é inviável a aula dessa maneira. Por tanto Newton, nessa, venceu…

Mas não pense que a produção cientifica do DAA parou por ai…Eles formularam outra tese:

“Aula de Embriologia em Local Indeterminado…”. Agora pensem um pouco: como pode ser uma aula em um lugar não determinado? É simples a resposta: não há aula. É uma pena, mas a segunda tese do DAA caiu. E os alunos como é que ficam? Ficam sem aula.

Sobre tudo isso que ocorreu, escrevi, na 3ª semana, uma carta que teve o apoio de alguns alunos da turma de medicina 2009/2 e a entreguei ao chefe do Departamento de Morfologia para que o DMO tomasse alguma providência, pois não podemos ficar sem as aulas.  O chefe do DMO ficou de responder as cartas e de tentar resolver os problemas. Ele disse que o problema é a falta de microscópio e que já havia feito o pedido e quando os microscópios chegarem as aulas de Microbiologia voltariam ao normal em outra sala e as de Embriologia seriam transferidas do “local indeterminado” para outra sala (local determinado). Mas, estamos na 7ª semana de aula e nada de microscópios!!!

E os professores, o que fizeram em relação a essas teses furadas? O que podiam, né! A professora de Microbiologia alterna com o outro professor as aulas. Já o professor de embriologia alterna suas aulas práticas com outra turma. 

De repente o DAA pensou que as salas de aula fossem assim:


Texto escrito por Luís Filipe (Polinômios)
acadêmico do 2º período do curso de medicina da UFS

O que a precariedade das aulas práticas do curso de medicina na UFS tem a ver com a falta de câmeras nas aulas de fotografia dos cursos de comunicação e com a desigualdade social?

abril 25, 2010

Inicialmente pode parecer que são problemas pontuais, cada qual pertencendo ao seu âmbito especial. O problema das más condições (ou até mesmo ausência) das aulas práticas de medicina são problemas do curso de medicina da UFS, institucionalizado no DME. A falta de câmeras fotográficas para o curso de comunicação é um problema da alçada do curso de comunicação. Já a desigualdade social é meramente um problema do governo. Por essa lógica, inevitavelmente surge aquela batida pergunta:

O que diabos, eu, estudante, tenho a ver com isso?

A resposta para isso pode vir de uma outra pergunta: será que as coisas são tão independentes assim?

Nós temos o costume de analisar as coisas fechadas em si mesmo, sem buscar profundamente a origem delas, sem comparar diversos aspectos de coisas que parecem diferentes mas às vezes fazem parte do mesmo universo. Isso nos leva a imaginar que os fatos são sempre isolados. Mas na verdade as coisas se interseccionam muito mais do que podemos imaginar.

Antes de tentarmos analisar, por exemplo, o porquê de as aulas práticas de Bases da Técnica Cirúrgica estarem sendo ministradas em um ambulatório minúsculo, onde estudantes assistem às aulas amontoados, sentados nas macas, onde não há sequer espaço para projeção de slides etc, devemos nos atentar para o fato de que a disciplina Bases da Técnica Cirúrgica está inserido em um contexto maior, junto com outras disciplinas, que é o do curso de medicina. O curso de medicina por sua vez, junto com vários outros cursos, está inserido na Universidade Federal de Sergipe. A UFS, adentrando o grupos das universidades brasileiras, está inserida dentro da sociedade em que vivemos. E será que podemos ignorar esses aspectos? Eu acho que não.

Vivemos em uma sociedade regida pelo sistema capitalista. Isso não é novidade pra ninguém. Mas nunca é demais relembrar que tal sistema é extremamente opressor, que tem como o objetivo o lucro e o consegue através da exploração da classe trabalhadora, que tem como controlador das relações o mercado. É um sistema excludente e que gera desigualdade social, que gera fome, miséria. Um sistema injusto, onde não há igualdade nem liberdade. E pra quem acha viagem demais analisar as coisas partindo dessa óptica, vamos descendo o aviãozinho pra ver onde ele pode pousar.

A realidade das universidades brasileiras hoje é uma realidade totalmente inserida nessa lógica do sistema capitalista. A universidade não tem sido socialmente referenciada. As pesquisas não são feitas com base nas necessidades da população. Quase não há extensão. A universidade não tem servido ao povo. Toda a formação visa o mercado de trabalho. O curso de medicina não forma médicos que atuem em conjunto com outros profissionais da saúde para atuação no SUS (que, lembrando, é o sistema de saúde que nós adotamos no Brasil, que possui aspectos extremamente positivos, como a possibilidade de permitir saúde acessível universalmente à população e de onde toda a precariedade tão explicitada na mídia vem boa parte pelo não cumprimento na prática do que o SUS é na teoria). Mas pelo contrário, nós estudantes de medicina nos formamos tendo repulsa ao Sistema Único de Saúde e já pensando em nos especializar e montar nosso próprio consultório sem nos questionarmos se de fato saúde deveria ser uma mercadoria a ser vendida. Os estudantes de Comunicação são formados para trabalhar em grande empresas que detêm o poder dos veículos de comunicação e compõem o grande poder hegemônico manipulador da mídia. E é assim que todos os cursos nas universidades são encarados. Na mesma lógica opressora, egoísta e exploradora do capitalismo.

Descendo mais um pouco o avião e pousando na nossa querida Universidade Federal de Sergipe, a gente percebe que tal lógica se consolidou ainda mais com a aprovação do REUNI em 2007. O REUNI – Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades – mereceria uma análise totalmente a parte, mas tentaerei me deter aos pontos principais. Embora o REUNI pareça algo bom, numa análise precoce, por expandir a universidade, aumentar o número de vagas fazendo com que mais pessoas tenham acesso ao Ensino Superior, precisamos nos perguntar inicialmente: que universidade é essa e pra onde tá indo essa expansão?. Me deterei a explanar o objetivo principal do REUNI e suas duas grandes metas.

  • Objetivo do REUNI: criar condições para a ampliação do acesso e permanência na educação superior, utilizando-se do melhor aproveitamento da estrutura física e dos recursos humanos atualmente existentes nessas instituições.

Criar condições, ampliar, permanência, melhor aproveitamento. São expressões que nos levam a ter uma avaliação positiva sobre essa reforma. Porém, analisando com cuidado, percebemos a contradição principal de tudo isso. O REUNI se propõe a expandir a universidade, porém APROVEITANDO A ESTRUTURA FÍSICA ATUAL E OS RECURSOS HUMANOS EXISTENTES. E será que a nossa estrutura física já dá conta da quantidade de estudantes que nós temos? Será que já temos uma quantidade de professores suficientes? Eu acho que não. E aí é possível perceber que a tal “ampliação” na verdade é uma deterioração total da universidade. Toda a precariedade é mantida e mais estudantes são colocados dentro dessa precariedade. Todo o problema só piora.

E as metas do REUNI só quantificam o seu objetivo de deteriorar a universidade:

  • Aumento de quase 100% do número de alunos por professor na graduação, atingindo a média de 18 alunos por docente.

Não bastasse o fato de não termos professores o suficiente para dar conta do ensino, da pesquisa e da extensão na universidade, há ainda a meta de aumentar ainda mais o número de alunos por professor.

  • Ampliação da taxa de conclusão nos cursos de graduação para 90% em média.

Tal meta deixa clara a falta de preocupação com a qualidade da formação do estudante e o objetivo unicamente de aumentar a “linha de produção” da universidade, fazendo com que cada vez mais estudantes entrem nela e saiam cada vez mais rápido para serem jogados dentro do mercado de trabalho.

Ninguém, eu acredito, seja contra a expansão das universidades. o problema é que não está havendo uma expansão de fato. Não se fala em Assistência Estudantil e em como os estudantes ingressantes podem se manter dentro da universidade. A ampliação da universidade deve ser feita de maneira não só quantitativa, mas também – e principalmente – qualitativa. Mas o REUNI é claramente um programa que visa a geração de números. Aumentar as porcentagens de ingressos na universidade, a porcentagem de graduados, sem minimamente se preocupar com a formação desse profissional. Então novos cursos de Comunicação são abertos, mais estudantes acessam o curso, mas que curso é esse onde existem apenas três câmeras fotográficas para aproximadamente 300 estudantes que cursam a matéria Fotografia? E o curso de Educação Física, que tem aulas de natação na sala de aula, usando-se o QUADRO. Será que todos esses problemas não estão interligados?

Se você ainda está tendo dificuldade de visualizar, vamos aumentar o zoom e chegar finalmente no curso de medicina da UFS. Eu faço uma pergunta simples: nossa formação tem sido a ideal? Nossa estrutura é a ideal? Nosso quadro docente é o ideal? Vários aspectos mostram que não. A situação das aulas práticas no HU (vide textos escritos por Adriana Freitas e publicados no blog do coletivo) e mesmo no Básico (como são as aulas “práticas” de fisiologia e neuroanatomia, por exemplo?) deixam bastante claro o quanto nosso curso de medicina precisa urgentemente de melhorias. Não obstante esse fato, nos deparamos com a abertura de UM NOVO CURSO DE MEDICINA no Campus de Lagarto? Você nunca parou pra se perguntar sobre isso? Se perguntar se o nosso curso já é assim tão perfeito pra um totalmente novo ser aberto em outro campus. Mais uma vez, ninguém é contrário a idéia de se expandir o curso de medicina para o interior de Sergipe. O problema é sempre a maneira como as coisas são feitas. Você também não se perguntou se esse novo curso de medicina em Lagarto será de fato um curso ideal? Ou será que, não bastasse um, teremos agora dois cursos de medicina com problemas. Se nunca se perguntou, comece a se perguntar, companheiro, pois se você resistiu e chegou até esse momento do texto, já deve estar sendo capaz de interligar os problemas do curso de medicina, com outros cursos, com a UFS, com a realidade das universidades, com o REUNI, com o sistema capitalista.

Então, colegas, é impossível isolar os problemas e as contradições nas quais diariamente nos encontramos. É preciso buscar a raiz verdadeira de cada problema. Nosso curso de medicina tem problemas pelo mesmo motivo que a galera de Comunicação. Tais problemas estão sendo ampliados pelo REUNI, que não foge de toda o sistema que “organiza” a sociedade em que vivemos.

Por fim, faço um apelo para que nós, estudantes, nos identifiquemos enquanto um grupo que deve resistir e lutar por melhorias nos nossos cursos, na nossa universidade e, por que não, não nossa sociedade. Pressionar os departamentos e outras instâncias burocráticas da universidade para que possamos ter condições ideais de ensino, pesquisa e extensão, mas sabendo que essa luta pontual não é o suficiente para mudar todo o sistema educacional do país. Precisamos no mobilizar e protestar, através de abaixo-assinados, atos ou simplesmente com a nossa voz dentro das salas de aula e dos outros espaços da universidade.

E que a universidade possa se pintar de povo!


Texto escrito por Jean Prestes
acadêmico do 3º período do curso de medicina da UFS

Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço?

abril 25, 2010

Desde criança costumam nos ensinar, tanto em casa como nas escolas primárias, que devemos ter noções mínimas de higiene: lavar as mãos antes e depois das refeições, jogar o lixo nas lixeiras, sempre lavar as mãos após ir ao banheiro ou chegar da rua, etc. Durante toda a nossa via acadêmica, aprendemos que a falta de higiene pode levar o indivíduo e toda uma comunidade a sofrer sérios problemas de saúde, por transmissão direta e indireta de um alarmante número de doenças.

No entanto, apesar da prática de higiene nos parecer, de certa forma, óbvia e primária, a necessidade da higienização das mãos, por exemplo, é reconhecida também pelo governo brasileiro, quando inclui recomendações para esta prática no Anexo IV da Portaria 2616/98 do Ministério da Saúde, que instrui sobre o Programa de Controle de Infecções Hospitalares nos estabelecimentos de assistência à saúde no País.

Apesar da significativa importância da higiene, principalmente entre os profissionais e acadêmicos da área da saúde, nós, da Universidade Federal de Sergipe e que estudamos no Campus da Saúde – Prof. João Cardoso Nascimento Júnior, não vivenciamos na prática o que vemos exaustivamente na teoria.

No nosso cotidiano, nos deparamos com o mais variado número e tipo de patologias, cada uma com sua especificidade, gravidade e grau de contágio. Como norma básica, a lavagem das mãos seria imprescindível para evitar não só uma contaminação pessoal, como também uma transmissão em massa de inúmeros tipos de doença. No entanto, ao irmos aos banheiros nos deparamos com situações deploráveis de higiene sanitária.

Para nós, estudantes da área da saúde, já se tornou “normal” utilizarmos banheiros sem porta, sem papel higiênico, sem sabão, com poças de água pelo chão, sem descarga nos vasos sanitários, vasos sem tampa, mictórios quebrados e agora com a mais nova novidade: pias improvisadas com baldes!

Além de ser humilhante vivenciarmos tais condições diariamente, é revoltante ver a justificativa de muitos para isso: “É assim mesmo, você está numa FEDERAL!” ou então “Mas foram vocês mesmos (estudantes) que quebraram!”. Será que Universidade Pública é sinônimo de descaso e Estudante é sinônimo de vandalismo? Ao nosso ver, não.

Apesar de ter consciência de que uma parte desses problemas foi causada por algum(s) estudante(s) que têm o “espírito de destruição correndo nas veias”, o bom senso é fundamental na análise de que não se pode generalizar uma classe por ações pontuais de uma minoria sem ética e respeito pelo bem coletivo.

Como conseqüência disso, somos impedidos de utilizar alguns banheiros que certamente não foram construídos para uso exclusivo de funcionários. Na didática onde se encontra a biblioteca da saúde, por exemplo, existem 6 banheiros, sendo 3 masculinos e 3 femininos. Apesar do número de acadêmicos ser expressivamente superior ao número de funcionários que trabalham nesta didática, apenas 1 banheiro feminino e 1 masculino são disponibilizados para os acadêmicos (nas condições citadas anteriormente! ). E o banheiro da biblioteca e o que fica em frente ao auditório? Esses vivem trancados para que não tenhamos acesso.

Para evitar me estender mais, não entrarei em detalhes com relação aos banheiros do CCBS e das outras didáticas, pois quem aqui convive sabe que as condições são bastante semelhantes.

Fica no ar, portanto, um questionamento: o que justifica isso? Como admitir que em um campus da saúde nós vivenciemos práticas de transmissão contínua de doenças?

Será que a partir de agora devemos começar a dizer aos nossos pacientes “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço.” ?

Texto escrito por Adriana Freitas
acadêmica do 6º período de medicina

MOBILIZAÇÃO ESTUDANTIL NO 6º PERÍODO – Estudantes fazem abaixo assinado denunciando as más condições no curso

abril 15, 2010

AULAS PRÁTICAS: SÓ NA TEORIA??

Nesta semana, concluímos nossa 4ª semana de aula do período letivo 2010/1. Fazendo as contas, já se passaram aproximadamente 22,2% do semestre letivo. Estando a quase ¼ do sexto período (que é a metade do curso), fiz algumas reflexões com alguns colegas de curso sobre como andam nossas “habilidades médicas” e percebi que a sensação de insegurança, principalmente com relação às habilidades práticas da medicina é algo bem comum. No entanto, muitos podem pensar ou até dizer “Ah, que besteira, ainda falta tanta coisa pela frente! Você só aprende mesmo depois que se forma!”, mas aí vem a minha pergunta: O que estamos fazendo na universidade então?

A profissão médica, dentre suas diversidades de áreas e especialidades, é eminentemente prática. Portanto, para que a Universidade propicie uma adequada graduação em medicina, nada mais óbvio do que oferecer um curso em que o ensino da prática médica seja algo fundamental.

No entanto, o que de fato nós temos?

Parando para analisar superficialmente os três primeiros anos de curso, o chamado ciclo básico, é possível nos lembrar de várias disciplinas em que a prática ficou só na teoria, como por exemplo, as aulas de neuroanatomia ditas como práticas, mas que foram eminentemente teóricas (apesar de terem sido realizadas dentro de um laboratório) e as aulas ditas práticas de Fisiologia Humana, em que seminários foram apresentados pelos alunos em salas de aula das Didáticas.

Quando chegamos ao HU, percebemos que as disciplinas nos fazem sentir uma grande proximidade da medicina em si e chega a hora em que efetivamente as práticas médicas se iniciam. O medo e a insegurança são companheiros permanentes por um bom tempo e aí ouvimos dos professores que só com a prática é que vamos deixar essa insegurança de lado e aprender de fato.

É aí onde mora o problema. Como andam nossas aulas práticas? Você está satisfeito(a) com o que está aprendendo nessas aulas?

Apesar de não estar nem um pouco satisfeita com as aulas práticas em geral (ou inexistência delas), o que me motivou a escrever este texto foi vivenciar, durante esta última semana, uma aula prática de Bases da Técnica Cirúrgica. Como o nome já explicita, as aulas práticas de uma disciplina como essa deveriam acontecer onde? Ou em um centro cirúrgico ou minimamente em um laboratório que simulasse as condições de um centro cirúrgico real. No entanto, a realidade dessas aulas na Universidade Federal de Sergipe é bem diferente. Mas por quê? Por acaso não temos um centro cirúrgico no HU? Até temos, mas infelizmente ele não oferece estrutura alguma para nos receber, enquanto estudantes. Da forma como está, realizar aulas práticas de Bases da Técnica cirúrgica significaria impossibilitar a realização de algumas cirurgias e aumentar consideravelmente o nível de infecção hospitalar.

Na impossibilidade de utilizar o local apropriado para dar suas aulas, os professores “se viram” como podem. Apesar de a Universidade estar dando início à construção de um novo curso de medicina em Lagarto, ela diz não ter condições de nos oferecer locais apropriados para nossas aulas práticas. =/

Nesse contexto, minha turma teve uma “aula prática” em um ambulatório minúsculo, com dez estudantes amontoados, sentados na maca e em cadeiras trazidas de outros ambulatórios e com o professor apresentando os slides da aula em seu próprio notebook, pois nem espaço para projeção em datashow havia. O mais interessante, é perceber que temos aulas práticas de “faz de conta”, pois além de o professor ficar mostrando nas fotos dos slides os utensílios ideais, os centros cirúrgicos ideais, a higiene ideal, etc., nós não temos a oportunidade de vivenciar isso na prática.

Apesar de o tema da referida aula ter sido Técnicas Assépticas, tínhamos disponível uma pia totalmente inadequada para o nosso aprendizado, além de praticamente nenhum material disponível para o treino das nossas habilidades. Resumindo: Mais uma vez tivemos aula teórica de “como se faz na prática”.

Quem estiver lendo esse texto, deve estar se perguntando: E por que você resolveu escrever tudo isso agora?

A resposta é simples: Porque tem muita gente na nossa universidade dizendo que temos um curso de ótima qualidade! Qual a maior prova disso? Nossa universidade está simplesmente DUPLICANDO o número de vagas em medicina e CONSTRUINDO um novo Pólo na cidade de Lagarto!

E nós, o que achamos disso?

“Ah, vai ser bom porque mais gente vai poder ingressar na faculdade!”

Será? Você gostaria de entrar em um curso que não tem NADA construído?

Se nós, que estamos em um curso construído há décadas, já estamos com diversos problemas que a Universidade diz não ter condições de solucionar, como serão as condições de aprendizado dos nossos futuros colegas de Lagarto? Melhores que as nossas? Porque se forem iguais, já estará sendo bem ruim.

Texto escrito por Adriana Cardoso Freitas, estudante do 6º período de medicina da UFS e membro do Coletivo “Seja Realista: Peça o Impossível”.

OBS: As assinaturas para a carta ser enviada à chefia do Departamento de Medicina da UFS estão sendo recolhidas para incluir as reivindicações como ponto de pauta na reunião do departamento de medicina, que acontecerá dia 03 de MAIO.